Conforme o diretor do Instituto de Criminalística (IC) do Paraná, Antônio Siqueira, além da falta de infraestrutura das polícias científicas, que emperra a conclusão de muitos inquéritos, existe ainda o alto deficit de peritos. ''Tínhamos 150 peritos há três décadas para uma população de 400 mil pessoas. Hoje são 172 para cerca de 2 milhões de habitantes'', revela. Do total, 105 peritos atuam em Curitiba, onde estão os principais laboratórios. Em Londrina, são 18 profissionais.
O cenário desolador do Paraná acompanha a realidade do País. Dados da Associação Brasileira de Criminalística apontam que em todo o Brasil há apenas 6,5 mil peritos. A Organização das Nações Unidas (ONU) recomenda o mínimo de um perito para cada cinco mil habitantes. Ou seja, o País precisaria ter 38 mil peritos. ''No Estado deveríamos aumentar para, no mínimo, 600 peritos, sem contar a equipe de apoio'', calcula Siqueira.
Segundo o diretor, existe um passivo de mais de 7 mil laudos na fila para serem finalizados. ''São exames com mais de 15 anos que não foram feitos, principalmente, por falta de pessoal. Este ano, entretanto, está tudo em dia'', garante. ''Temos que ter em mente a importância que eles têm para a elucidação dos casos. Serão os laudos que vão culpar ou inocentar um eventual suspeito.'' Por dia, o IC recebe entre 50 e 100 novos exames.
Só para Curitiba
Enquanto promete abrir concurso público para contratar peritos e equipe técnica, o Governo anunciou a contratação de 600 policiais civis. Enquanto isso, faz tentativas tímidas para cumprir a meta 2. No âmbito da Polícia Civil, foi criado há quatro meses o Grupo Homicídios Não Resolvidos (Honre), para investigar casos sem solução há mais de dois anos, mas apenas para Curitiba e região metropolitana.
O delegado responsável, Rubens Recalcatti, garante que de 3,6 mil inquéritos instaurados até 2008, cerca de 1,5 mil já foram despachados. ''Destes, 126 foram concluídos, sendo 61 com autoria conhecida. Há ainda outros 700 inquéritos com pedidos de exames, intimações e 250 já foram realizadas audiências, oitivas e indiciamento de interrogatório'', resume. Ainda assim, admite ser impossível concluir a meta 2 no prazo. ''Temos um delegado, quatro investigadores e um escrivão. Precisaríamos aumentar para, no mínimo, mais quatro delegados, 12 investigadores e seis escrivães.''
Ainda que a contratação de mais policiais seja imediata, não deve aliviar a pressão sobre a Polícia Civil, adverte o presidente do Sindicato dos Policiais Civis de Londrina, Ademílson Antônio Alves Batista. ''Hoje o efetivo do Paraná é de 3,6 mil policiais. O Estado deveria, no mínimo, dobrar esse número para dar condições de realização do trabalho.'' Conforme Batista, outra ação urgente é a liberação dos investigadores que vigiam quase 15 mil presos que estão em delegacias.

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