FALTA O QUÊ? PR soluciona só 7% dos inquéritos antigos
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sábado, 08 de outubro de 2011
Marian Trigueiros <br>Reportagem Local 
''O que fizeram com minha filha não se faz nem com um animal'', desabafa o carpinteiro João Antônio da Silva, cuja filha foi morta brutalmente em março de 2002, em Londrina, aos 17 anos. O crime chocou pela crueldade. Patrícia da Silva teve o útero arrancado e recebeu golpes de faca na cabeça. O laudo indicou que ela teria sido estripada ainda com vida.
Nesta quase uma década, várias hipóteses foram levantadas, inclusive pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco), mas o crime segue insolúvel. Situação que, tanto no Brasil quanto no Paraná, passa longe de ser exceção. Conforme o Ministério da Justiça, apenas cerca de quatro mil dos quase 50 mil homicídios praticados anualmente no Brasil têm solução. Ou seja, mais de 90% dos crimes contra a vida não são resolvidos no País. Listagem do Inqueritômetro - site que acompanha o desempenho dos estados - mostra que existem hoje aproximadamente 126 mil inquéritos sem solução em todo o País.
Levantamento realizado pelo Ministério Público do Paraná em dezembro de 2010 contabilizou 9.281 inquéritos policiais - de homicídios praticados até dezembro de 2007 - sem conclusão. A cidade com mais inquéritos sem conclusão
foi Curitiba, com 1,7 mil, seguido de Londrina, com 641 inquéritos, e Almirante Tamandaré, com 605.
No entanto, 7.352 foram inseridos no cadastro do Inqueritômetro. De lá para cá, apenas 531 inquéritos foram concluídos. Pífios 7,2% de solução, o que faz o Paraná ocupar a vexatória 18 posição no ranking de evolução da produtividade. Atualmente, são 6.821 inquéritos listados no cadastro que ainda aguardam solução. A Secretaria de Estado de Segurança Pública do Estado (Sesp) não confirmou nem negou estes números até o fechamento da edição.
O delegado-chefe de Londrina, Márcio Amaro, não quis se pronunciar.
Meta do CNJ
O levantamento em questão foi realizado para orientar a intenção do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de concluir o alto número de inquéritos sem solução. A entidade criou a Estratégia Nacional de Justiça e Segurança Pública (Enasp), também conhecida por meta 2, que prevê que os inquéritos e procedimentos que investigam crimes dolosos contra a vida (homicídio, aborto, infanticídio e suicídio), instaurados até 31 de dezembro de 2007, deverão ser concluídos até dezembro deste ano.


