Um pesadelo recorrente entre a maioria dos pais de adolescentes se concretizou na vida da agente penitenciária Ivone Aparecida Palmacene, que no dia 23 de janeiro de 2004 perdeu a filha Natália, 18 anos, violentada e assassinada quando voltava de um bar no litoral do Paraná. Moradora de Londrina, a jovem passava férias em Praia de Leste com o pai, a avó e o irmão.
Natália era frequentadora do balneário, onde tinha muitos amigos. No dia do crime, esteve em um bar com uma tia-avó até às 3 horas. A tia foi embora e ela continuou sozinha. No caminho de volta ao apartamento da família, por volta de 5h30, foi estuprada, estrangulada e morta uma quadra antes de chegar em casa.
Na época do crime, a vítima namorava o barman do bar que costumava frequentar. Conforme a mãe, Natália havia rompido o relacionamento e, antes de deixar o estabelecimento, os dois teriam discutido. Exames de DNA foram feitos para averiguar vários suspeitos, inclusive o barman e moradores da vizinhança onde o corpo foi localizado, mas até hoje nenhum culpado foi identificado.
Para a família, a rotina nunca mais foi a mesma sem a menina bonita, ''que fazia amizade fácil com todo mundo''. ''Não fazemos ideia do que aconteceu'', lamenta a mãe, que sofre diariamente com a impunidade. ''Não sou a favor de fazer justiça com as próprias mãos. Ficaria mais tranquila se o autor pagasse pelo crime'', afirma.
Sete anos depois de perder a filha, ela ainda fica atenta quando a Polícia prende acusados de estupros. ''Peço para fazerem o teste de DNA mas, a essa altura, é difícil identificar alguém'', admite. O caso é investigado em Praia de Leste, onde a rotatividade de funcionários, segundo Ivone, atrapalhou as investigações. ''A cada troca, tínhamos que começar tudo de novo e a cada recomeço era um novo desgaste.'' Ivone reclama, ainda, da falta de estrutura da Polícia. ''Numa ocasião, era preciso interrogar um suspeito em Foz do Iguaçu e não havia carro disponível. Os policiais acabaram usando o próprio veículo'', exemplifica.
Para Ivone, outra situação também atrapalhou o desfecho do caso. De acordo com ela, parte da imprensa e até policiais, em muitas ocasiões, chegaram a insinuar que a vítima é quem teria se exposto ao risco. ''Minha filha era muito bonita e, como todas as meninas dessa idade, saía com os amigos, namorava... Algumas vezes, foi tratado como se a culpa tivesse sido da Natália, como se ela tivesse provocado a situação...'' Atualmente, Ivone preocupa-se com destino da filha mais nova que, aos 11 anos, leva uma vida protegida. ''Não sei como será quando ela crescer. Não vou poder protegê-la 24 horas por dia.''
Conforme apuração da FOLHA, o inquérito sobre o homicídio foi remetido ao Fórum de Matinhos, a comarca responsável por Praia de Leste. No entanto, o Ministério Público determinou a continuidade das investigações.

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