A enfermeira Helena Elisabetta Bontempi trouxe para Londrina a experiência adquirida durante oito anos de trabalho com idosos na Itália. Filha de italianos, ela já possuía dupla cidadania quando, nove anos atrás, decidiu se mudar para o país europeu. "Em casa pegava um canal de televisão italiano e eu sempre via que eles precisavam de enfermeiras estrangeiras para trabalhar com idosos", relembra.
Após alguns meses de estágio e o reconhecimento do diploma brasileiro, ela trabalhou em domicílio e, durante cinco anos, em uma casa de repouso, classificada como sua melhor experiência. Segundo Helena, o lar serviu de escola para o bom tratamento dessas pessoas, uma vez que lá os idosos "eram bem tratados, estavam sempre limpos e bem alimentados". Pouco mais de um ano atrás, a enfermeira retornou a Londrina e hoje cuida diariamente de uma idosa de 79 anos acometida por Alzheimer, com quem pratica os cuidados aprendidos. "A maneira como eu estou cuidando aqui é como eu fazia lá, e o que eu acho certo também", garante ela.
Prestes a concluir a pós-graduação em Saúde Coletiva e da Família pela UniFil, Helena considera o tratamento dado aos idosos no Brasil "uma vergonha". "Falta estrutura para atendimento", afirma. A falta de preparo dos profissionais e até mesmo do poder público pode ser explicada pela recente mudança de perfil do Brasil, até recentemente considerado um país jovem. Para se ter uma ideia, enquanto 12,3% dos brasileiros têm mais de 60 anos, na Itália esse índice passa dos 20%.
A enfermeira defende que todos merecem respeito e um atendimento de saúde mais humano e de qualidade, principalmente os idosos. "São pessoas que viveram mais, que sabem mais", enfatiza. Ela acredita que as melhorias vão acontecer gradativamente e garante que não existe segredo para um trabalho bem feito junto a essa população. "Tem de ter paciência, mas é uma coisa que vem do dom da pessoa", finaliza.

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