Falta dinheiro para hospitais da RMC
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quinta-feira, 19 de abril de 2007
Denise Ribeiro<br> Equipe da Folha 
Entre 35% e 40% dos pacientes internados nos hospitais de Curitiba são moradores de outras cidades, principalmente dos municípios da Região Metropolitana, que têm o acesso facilitado pela proximidade. Nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), em 2006, esse índice chegou a 45% dos leitos, segundo dados da Secretaria de Saúde de Curitiba. No caso de centros de referência como o Hospital Pequeno Príncipe, a ocupação por não residentes da Capital é ainda maior, 60%.
De acordo com o secretário de Saúde de Fazenda Rio Grande, Luis Fernando Zarpelon, presidente do Conselho Regional de Secretários Municipais de Saúde, a Região Metropolitana de Curitiba (RMC) tem capacidade instalada, isto é, hospitais e clínicas, mas faltam recursos para garantir a prestação dos serviços de média complexidade como exames especializados, internações e cirurgias. ''No caso dos hospitais particulares que também atendem pelo SUS, há leitos mas o hospital não pode internar porque não vai receber pelo atendimento'', conta. Os pacientes acabam, então, tendo que esperar por uma vaga em outro hospital, geralmente, fora de seu município, num sistema de distribuição regional chamado de Central de Leitos.
Em Fazenda Rio Grande, como o hospital é municipal, a prefeitura arca com parte dos custos, segundo o secretário. Além dos 15% do orçamento obrigatórios por lei, o município destina mais 7% dos recursos locais à saúde. ''Em alguns municípios, o gasto com atendimento de média complexidade acaba dificultando a circulação dos serviços de baixa complexidade'', explica. Para Zarpelon, os municípios da RMC precisam que o governo do Estado aumente o teto para os gastos com saúde para que os pacientes não precisem esperar por atendimento nas cidades vizinhas.
Com dois hospitais, a Santa Casa de Misericórdia Nossa Senhora do Rosário (filantrópica) e o Hospital e Maternidade Alto Maracanã (municipal), Colombo tem estrutura física mas carece de investimento em serviços. ''Onde é SUS acontece isso, os valores repassados nunca são suficientes. O custo é sempre maior que aquilo que o SUS paga'', observa o secretário de Saúde, Helder Lazarotto. Segundo o secretário, isso ''obriga'' os municípios a destinar mais recursos do orçamento para a saúde. Em Colombo, esse percentual fica entre 20% e 22%. ''Acaba onerando mais. Se não fosse o município aplicar recursos próprios, o atendimento não teria condições de funcionar só com os recursos do SUS'', afirma Lazarotto.
Já em Araucária a situação é ''terrível'', de acordo com o secretário de Saúde do município, Josué Kersten. Segundo ele, são 120 mil moradores e um hospital particular que atende pelo SUS. ''Não tem estrutura, não faz cirurgias de média complexidade. Deixa muito a desejar pelo porte, tamanho e importância do município'', avalia o secretário. Ele cita como exemplo, um paciente com fratura exposta que precisou esperar dois dias pelo atendimento em outra cidade. O tempo de espera é grande mesmo em casos mais graves como o de um acidente vascular cerebral, segundo Kersten.
Na tentativa de minimizar o problema, a prefeitura espera inaugurar um novo hospital até o final deste ano. A unidade deverá realizar procedimentos de média e alta complexidade e terá 70% de sua capacidade destinada a pacientes do SUS. Os outros 30% serão reservados para atendimentos particulares e por convênio médico. O repasse dos recursos ainda não foi negociado com o governo do Estado e o secretário diz que o município está disposto a investir na manutenção do novo hospital para garatir o atendimento. ''Nós não queremos construir aqui um elefante branco. Vamos buscar todas as maneiras para otimizar o máximo possível. Só na prática é que vamos saber se vai dar certo ou não'', afirma Kersten. Hoje 20% do orçamento de Araucária é investido na saúde.


