Falta diálogo com a educação e o mercado de trabalho
''É um tempo em que prevalece o individualismo, o 'salve-se quem puder' e isso afeta o mercado de trabalho'', destaca a professora Luciana Valore, 44 anos, psicóloga há 20 anos e coordenadora do projeto de orientação vocacional da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Luciana baseou seu doutorado justamente sobre o tema em questão, ''Inserção do Recém-Formado'', em Psicologia Escolar na Universidade de São Paulo (USP).
A frustração com a carreira após a graduação é uma preocupação constante de quem faz vestibular. ''O maior medo é de não encontrar emprego e o outro é o de não gostar do curso. É comum a pessoa perguntar 'como vou dizer pra minha família que quero largar engenharia para fazer filosofia?'. O importante é a pessoa entender que não está perdendo'', reflete Luciana.
E, depois de formado, muitos se encaixam em três perfis: os que não gostaram do curso, os que gostaram mas ganham pouco e os que gostaram mas trabalham demais. ''Quando a pessoa é solteira e passa a querer se casar, por exemplo, a preocupação é por melhor salário, então as pessoas começam a procurar outras opções'', explica a psicóloga.
O descontentanto com a atual profissão e a mudança de carreira está intimamente ligada à educação e ao próprio mercado de trabalho. Enquanto as empresas pressionam a ''pasteurização'' do perfil dos profissionais, as instituições geralmente formam meros copistas, mais preocupados em reproduzir e se adequar ao que está vigente do que em pesquisar e acrescentar. ''O ensino particular me preocupa um pouco porque da sexta série em diante a preocupação é apenas em passar no vestibular. Não existe diálogo com a própria educação ou o mercado de trabalho'', comenta.
E, diante desse quadro, Luciana tem na ponta da língua a dica para quem está insatisfeito e busca mudanças. ''Tem mais é que investir na mudança. Antes disso, vale a regra de se informar sobre as possibilidades da nova carreira, dos nichos e recursos. Mas não basta olhar para fora, tem que olhar para dentro e descobrir se você tem as habilidades e o interesse para isso.''
E, nesse momento, experiência de vida é ainda mais importante do que o aprendizado dos bancos das universidades. ''A gente valoriza muito o diploma. E o tempo que a gente dedica para viagens, para conhecer outras coisas e pessoas são também muito importantes. A experiência de vida acrescenta muito e várias empresas têm buscado isso atualmente'', revela.
Quem quiser procurar mais informações a respeito pode entrar em contato com o projeto de orientação profissional, na sede central da UFPR, na praça Santos Andrade, ou pelo telefone do departamento de Psicologia, no 3310-2625. (C.Y.)





