Falta de verbas impede término da Santa Casa
Ao lado da pavimentação da Boiadeira, a obra mais desejada em Campo Mourão é a da nova Santa Casa. O hospital atualmente funciona em instalações modestas pagas pela prefeitura, mas um projeto audacioso, que transforma a velha Santa Casa - criada em 1956 - num hospital regional, está em construção há sete anos e só não ficou pronto por falta de recursos oficiais. Há um ano, por exemplo, a obra está paralisada porque acabou o material.
Ajuda da população é que não faltou. O presidente da Santa Casa, Dilmar Daleffe, acredita que quase R$ 2 milhões já foram investidos na construção apenas com doações da comunidade. No ano passado, o presidente chegou a sonhar com a liberação de R$ 1,4 milhão previsto no orçamento do Estado e de outros R$ 3 milhões prometidos pelo Ministério da Saúde, mas os recursos não vieram e os trabalhos tiveram que parar em outubro. Para este ano, Daleffe espera outros R$ 500 mil previstos no Reforsus.
O dinheiro seria suficiente para reiniciarmos a obra, diz Daleffe. Desde que lançou a pedra fundamental do novo hospital, no entanto, em 89, Daleffe já se cansou de esperar por recursos. Se não fosse a ajuda da comunidade, praticamente nada teria sido feito. Hoje, mesmo com a paralisação, cerca de 60% da obra está construída. Faltam o acabamento e os equipamentos, ressalta. Em 96, nem a visita do então ministro da Saúde, Adib Jatene, às obras paralisadas resolveu o drama.
Em visita a Campo Mourão, no final de julho, o secretário estadual da Saúde, Armando Raggio, confirmou que a conclusão é viável e está recebendo o empenho do Estado. Além dos R$ 500 mil do Reforsus, Raggio afirmou que é esperada a liberação de mais R$ 1 milhão, dos quais o Estado participaria com R$ 300 mil. Mais de dois meses e meio depois, e nada.
320 leitosO secretário acredita, no entanto, que com o valor de R$ 1,5 milhão previsto, é possível colocar a Santa Casa em condições mínimas de funcionamento. Para ele, o início das atividades do hospital incentivaria o término total das obras. Para isso, poderão ser usados cerca de R$ 3 milhões viabilizados através da venda de ações da Copel. A idéia é fazer com que a Santa Casa comece atendendo com pelo menos 100 leitos. O projeto global prevê 320 leitos - mais do que todos os hospitais de Campo Mourão têm atualmente juntos.
O projeto da nova Santa Casa é audacioso e visa a suprir uma velha carência da região. Falta um hospital melhor aparelhado para atender os pacientes dos 25 municípios da microrregião polarizada por Campo Mourão. Hoje, mesmo a cidade tem que mandar os casos de pacientes em estado mais grave para tratamento em Maringá, Cascavel, Londrina e Curitiba. Falta, por exemplo, uma unidade de terapita intensiva melhor equipada.
Cansamos de ver gente da região morrendo a caminho de um centro maior, queixa-se Daleffe. E como a nova Santa Casa pretende dar atendimento à toda a região, ele cobra uma maior mobilização regional em defesa do hospital. Assistimos tudo muito pacivamente, diz. Até há alguns anos, a direção da instituição chegava a cobrar ajuda de prefeituras da região, mas poucas colaboraram. Sem dinheiro, a Santa Casa, além de não ter como retomar a construção, também não pode demitir os 15 pedreiros da obra porque não tem como pagar os acertos trabalhistas. (S.S.)





