Se o meio dita a forma como a personalidade de uma pessoa é construída, era de se esperar que escolas, instituições altamente suscetíveis ao ambiente social em que estão inseridas, vivam sob a mesma realidade.
Colégios instalados em regiões violentas tendem a sofrer de forma mais recorrente com casos de polícia, como observam o responsável pela Patrulha Escolar de Londrina, Hugo César Woll, e a promotora da Vara da Infância e Juventude, Édina Maria de Paula.
O Colégio Tiradentes, como a própria diretora afirma, é um exemplo claro disto. ''A clientela por nós atendida é extremamente carente. Eles vivem problemas nos bairros e acabam trazendo para as escolas, onde passam boa parte do tempo'', explica. ''Muitas vezes, são até despejados pelos pais nos colégios, que vêem as crianças como um problema do qual têm que se livrar'', considera a professora Cláudia Garcia, da Escola João Sampaio.
Contar a história do adolescente recentemente detido com uma arma no colégio Tiradentes é uma forma de reafirmar essa teoria. Segundo a mãe do garoto uma dona-de-casa que pediu anonimato o jovem foi coagido por outro rapaz para guardar o revólver. Como ele estava a caminho da escola, não tinha alternativa senão levar a arma para a sala de aula.
Surpreendido pelo professor, acabou detido. ''Agora, o dono da arma está ameaçando meu filho para ter o revólver de volta. Ele quer uma arma nova, uma TV e um DVD ou R$ 500 como forma de ressarcimento. Senão disse que vai matar meu filho. Vou ter que pagar, não quero perdê-lo'', conta a dona-de-casa.
Soluções para este tipo de problema não são tão simples de serem alcançadas. ''Os conselhos escolares, por exemplo, são ferramentas muito eficientes no combate à indisciplina, mas muito pouco utilizadas em Londrina.
''O que falta, na maioria dos casos, é o preparo técnico para lidar com adolescentes. Ninguém nasce violento, mas pode se transformar num agressor. Saber lidar com isso é o primeiro passo para uma experiência bem-sucedida'', conclui a promotora.(A.M.)

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