Falta de rampa impede voto de deficiente
PUBLICAÇÃO
domingo, 04 de outubro de 1998
Cláudia Lopes 
A deficiente física Nilma Ruth de Oliveira não votou ontem por falta de adaptações na seção 080 da Escola Municipal Carlos Zewe Coimbra, que fica no Jardim Marabá, zona leste de Londrina.
Já no mês passado, prevendo a dificuldade, a Adefil (Associação dos Deficientes Físicos de Londrina) havia enviado uma solicitação ao Cartório Eleitoral, pedindo que fosse garantido o direito de acesso à urna de três eleitores portadores de deficiências, em três seções da 41ª zona.
Como os locais são inadequados, solicitamos que fossem feitas as adaptações que garantissem nosso direito de votar, disse Nilma. Mas isso não aconteceu. Ela ficou decepcionada em encontrar a seção nas mesmas condições da eleição anterior. Não vou ser carregada no colo porque não quero passar por constrangimento para exercer meus direitos. Não tenho só que cumprir deveres. Tenho o direito de votar.
A chefe do Cartório Eleitoral, Rosa Maccagnan, recomendou que Nilma não votasse ontem e mandasse uma pessoa da família ao Cartório, nos próximos dias, para que seu voto possa ser justificado. Embora tenha recebido a solicitação da Adefil, Rosa disse que na escola não há como fazer adaptações.
Nilma, que é deficiente física desde que nasceu, estudou no local durante o primário. Na época, havia uma rampa de madeira que os funcionários colocavam para eu subir até a classe, contou. Não sei porque o Cartório não foi capaz de pensar numa solução simples como esta.
O presidente da Adefil, Elder Raimundo Senne, disse ter recebido orientação do Cartório Eleitoral para que os pedidos de adaptações fossem feitos até o último dia 20. Embora mil pessoas sejam associadas à Adefil, poucos deficientes procuraram a entidade para fazer a solicitação.


