Falta de ereção deixa de ser problema
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domingo, 21 de novembro de 2004
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
Aos 51 anos, o médico urologista José Pontes (nome fictício) é um dos milhares de usuários paranaenses dos medicamentos contra disfunção erétil, popularizados após o lançamento do pioneiro Viagra (sildenafil) em 2000. Divorciado há onze anos, ele consome os remédios para obter melhor qualidade na ereção. ''Uso desde o lançamento, mas não todas as vezes que vou ter uma relação sexual. Não é uma coisa rotineira'', revela.
A iniciativa de Pontes, no entanto, pode ser considerada um risco no caso de leigos que fazem uso indiscriminado de medicamentos. A exemplo do Viagra, os outros remédios do gênero no mercado Cialis (tadafila) e Levitra (vardenafil) também são contra-indicados para pacientes que usam nitratos para tratar males cardíacos.
O problema é mais grave ainda por causa do aumento do consumo dos medicamentos por jovens com o intuito de aumentar a potência sexual. ''Todos têm de consultar um médico antes de fazer uso de qualquer medicamento'', salienta. A análise de estatísticas fornecidas pelo Conselho Regional de Farmácia (CRF) do Paraná mostra que a recomendação do urologista tem sido sistematicamente desrespeitada.
Os medicamentos contra disfunção erétil estão entre os mais vendidos em farmácias de todo o País. Os estimulantes sexuais perdem somente para o grupo dos analgésicos e anti-inflamatórios e dos anticoncepcionais. Para o presidente do órgão, Everson Krum, devido aos altos custos, este tipo de medicamento tem bastante procura e representa fatia considerável dos lucros dos laboratórios e farmácias. ''Já a quantidade de vendas depende muito do público atendido pela farmácia. Em regiões com população de menor poder aquisitivo, as vendas não são tão significativas'', avalia Krum.
De acordo com especialistas, a falta de controle na comercialização e o uso indiscriminado por jovens foram responsáveis pelo aumento da procura. Os médicos alertam também que o consumo indevido pode causar reações adversas e até problemas futuros de ereção. ''O feitiço pode virar contra o feiticeiro. O jovem que, por exemplo, sofre de ejaculação precoce, pode ter uma disfunção erétil no futuro'', destaca o terapeuta sexual e ginecologista Calvino Coutinho Fernandes, membro da Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana e autor do livro O Cristão e o Prazer Sexual.
''No caso dos jovens, a maior parte das disfunções eréteis é relacionada a causas psicológicas e não orgânicas'', explica o urologista José Renato Monteiro Fabretti. Sem maiores consequências, os efeitos colaterais não assustam os ''usuários'' eventuais das drogas. As reações normalmente são queda de pressão, tontura, dor de cabeça, visão turva e vermelhidão no rosto, resultado da dilatação dos vasos sanguíneos.
A associação com drogas como alucinógenos, no entanto, pode acarretar desde parada cardíaca a Acidente Vascular Cerebral (A.V.C.). Os distúrbios ocorrem com maior frequência em pacientes com histórico de diabetes e hipertensão, fumantes e usuários de álcool.
O único grupo de risco para o uso de estimulantes sexuais são pacientes que sofrem de angina de peito e fazem uso de nitratos (isordil, monocordil e sustrato) no tratamento.
O preconceito e a vergonha de admitir o problema impede que os pacientes procurem ajuda especializada. Fabretti afirma que, entre os homens que procuram tratamento, a chance de cura é praticamente total. ''A solução é de 100%, independente da idade e do grau de patologia'', destaca.


