Curitiba - Não foi exatamente o sonho de morar em outro país que levou o então adolescente de 16 anos, Éder Stork Teixeira, a arrumar as malas rumo à capital portuguesa Lisboa. Mas sim, a falta de perspectiva de emprego para quem tinha acabado de concluir o ensino médio, na pequena Araranguá, cidade do interior de Santa Catarina.
Sua corajosa empreitada acabou dando certo. Depois de quase cinco anos vivendo em Portugal, Teixeira conhecido entre os amigos como ''Portuga'' por conta do sotaque que adquiriu fez capital para comprar um apartamento, em Curitiba, onde está morando, e entrar de sócio em um bar temático para motociclistas. Para ele, uma importante conquista para um jovem de 22 anos.
Ele conta que chegou em Lisboa apenas com as malas e algumas moedas ''gigantes'' de escudo dinheiro da época no bolso, resultado da venda de duas motos que tinha no Brasil. Do aeroporto foi direto ao Centro Comercial Colombo, um dos locais que, segundo ele, mais empregava imigrantes ilegais. Conseguiu uma vaga de garçon em um restaurante chinês, onde trabalhou por quase quatro meses sem receber: ônus de quem está em situação irregular. Somente depois de um ano e meio, Teixeira conseguiu o visto para poder trabalhar legalmente no país.
Teixeira passou por outros dois bares, trabalhando como garçon, com jornadas que, às vezes, passavam de 12 horas diárias. ''Corria feito um louco e não tinha tempo para gastar dinheiro'', lembrou. Além do trabalho exaustivo, Teixeira diz que enfrentava preconceito por parte dos portugueses e, até mesmo, de outros imigrantes, igualmente ilegais. ''Mas não chamo de sofrimento o que passei lá fora. Chamo de experiência'', afirmou.
Mas o fato de não se arrepender do período em que morou em Portugal, Teixeira diz que só voltaria para lá por necessidade. ''Para viver não quero mais'', revelou.

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