Uma bituca de cigarro jogada pela janela do carro pode parecer inofensiva. Sozinha, talvez faça pouca diferença no espaço. Mas, se de repente os 32 milhões de fumantes do país resolverem jogar uma bituca no chão todos os dias, teríamos um problema ambiental de proporções gigantescas. Juntos, os restos de cigarro se acumulam pelas ruas, entopem bocas-de-lobo, correm pelas galerias pluviais e, finalmente, com a ajuda da chuva e da lei da gravidade, desembocam em lagos, rios e fundos de vale, tornando-se perigosas fontes de contaminação da água e do solo.
E esse fenômeno não é exclusividade dos cigarros: todos os resíduos e lixo jogados no chão, em calçadas e terrenos baldios, estão fadados a ter o mesmo fim. Eles contribuem para um tipo específico de poluição conhecida como difusa - que, ao pé da letra, pode ser entendida como poluição generalizada. "A poluição difusa é a junção de todos os resíduos descartados no ambiente que, pouco a pouco, se acumulam e poluem nossos lagos e cursos d’água", explica o biólogo Marcelo Arasaki.
Em Londrina, o Lago Igapó é um reflexo da ação da poluição difusa. Nele, desembocam garrafas PET, vidros, sacolas plásticas, resíduos da construção civil, produtos químicos, restos de varrição e de detergente, além, é claro, das bitucas - muitas bitucas. "Isso causa assoreamento e diminui a própria vida do lago", destaca Marcelo Arasaki.
Apesar dos grandes estragos, essa poluição é fácil de ser controlada. Ela depende apenas do comportamento de cada pessoa. A saída, segundo Arasaki, é a educação ambiental.
Um bom exemplo vem da estudante universitária Deise Pereira, que carrega sempre consigo um recipiente para jogar as bitucas dos cigarros que consome. "Eu já sei que a fumaça do meu cigarro é poluente, pelo menos com a bituca eu não poluo", ela ressalta.
A garrafa que Deise usa é ainda mais útil nos locais em que não tem lixeira por perto, como em bares e restaurantes. Alguns estabelecimentos, felizmente, estão atentos ao problema. Patrick Catai, proprietário de uma casa noturna próxima ao Lago Igapó II, conta que, por ser proibido o fumo em ambientes fechados, o consumo de cigarros no exterior do bar é comum. Para as bitucas não serem atiradas na calçada da avenida Higienópolis, ele instalou três latas com areia para descarte das pontas de cigarros. "Mesmo assim, algumas pessoas jogam no chão", conta. A própria casa acaba fazendo a varrição desses resíduos.

Imagem ilustrativa da imagem Falhas nossas de todo dia
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