FALÊNCIA MÚLTIPLA - Por que a saúde está caótica no PR?
PUBLICAÇÃO
sábado, 26 de fevereiro de 2011
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
Não é de hoje que a saúde pública no Brasil é alvo de críticas. Mas no Paraná, população e profissionais da área parecem ter chegado ao limite da paciência. Nas últimas semanas, o que se viu foi uma sucessão de acontecimentos que só pioraram um cenário que já era negro.
Desde o início da década a saúde pública já vinha dando sinais de esgotamento. Dados da Federação dos Hospitais Filantrópicos confirmam que mais de cem hospitais teriam encerrado suas atividades nesta década. Nos últimos dias, mais Santas Casas do Estado ameaçaram interromper o atendimento a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) porque acumulam deficits milionários gerados pela defasagem na tabela de remuneração de procedimentos. Depois de mais de duas décadas, quem conhece o SUS desde seu surgimento alerta que o sistema carece de urgente reestruturação.
Enquanto isso, pacientes da rede pública sofrem com filas e mal atendimento. A proliferação da dengue é só mais um ingrediente a ser juntado à esse caldeirão de horror.
Não bastasse a situação da saúde pública, os clientes de planos de saúde também não têm o que comemorar. Pelo contrário. Agendar consultas e procedimentos hoje pode demorar meses. Por seu lado, médicos denunciam que os valores que recebem pelas consultas beira a humilhação: em alguns casos, o repasse é de parcos R$ 13. Esta semana, profissionais de Ivaiporã (Norte) pediram o descredenciamento dos planos e deixaram os clientes das operadoras desassistidos.
Soluções existem, garantem as fontes ouvidas pela FOLHA. O Governo do Estado, por exemplo, tenta equalizar as contas para não cortar investimentos. Já os médicos cobram a regulamentação da Emenda 29, que disciplina os percentuais que União, Estados e Municípios deverão aplicar na saúde. Os hospitais buscam receita em outras fontes para não fechar as portas.


