FALÊNCIA MÚLTIPLA - Médico propõe fim da medicalização
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sábado, 26 de fevereiro de 2011
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
Profissional que participou ativamente do processo de implantação do Sistema Único de Saúde (SUS) em Londrina, no final da década de 80, o radiologista e especialista em saúde pública Omar Genha Taha defende a reestruturação do modelo de atendimento e a readequação da estrutura de recursos humanos da rede como soluções para a crise enfrentada pelo setor. Não existe qualquer modelo que resista a vinte anos de implantação sem mudanças, avaliou.
Para ele, o SUS passa pelo esgotamento do sistema de atenção primária, que tinha, entre outras atribuições, o objetivo de tirar o foco da medicalização do atendimento. Muitas demandas dos usuários poderiam ser atendidas por profissionais de outras áreas, afirmou, exemplificando que doenças como hipertensão e obesididade são possíveis de serem prevenidas pelo trabalho de agentes de saúde. Os problemas tornaram-se mais complexos, mas isso não significa que as soluções sejam mais difíceis. É preciso repensar as atribuições, disse.
Outro problema apontado pelo médico é o gerenciamento inadequado dos poucos recursos existentes. É uma realidade que vem se estendendo por várias gestões. A secretaria municipal de Saúde trabalha sob pressão, para resolver problemas pontuais, observou, enfatizando a necessidade de articulação entre as esferas municipal, estadual e federal para viabilizar novas fontes de recurso.
Taha defende, também, a readequação da estrutura de recursos humanos do sistema como solução para a crise, com oferta de treinamento e melhoria de salários. Se o sistema não for repensado, há risco, inclusive da crise chegar ao setor privado. O município enfrenta falta de leitos.
Londrina foi pioneira na implantação do modelo de atendimento em saúde que propunha a universalização, a hierarquização, a regionalização e o gerenciamento municipalizado, que compõem a filosofia do SUS. A participação de Taha no processo começou em 1979, quando cursava o segundo ano de Medicina na Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Na época, escrevia uma coluna sobre saúde na Folha de Londrina e, por meio do jornal, foi o responsável por lançar a semente do modelo chamado Atenção Integrada em Saúde (AIS), que nasceu na cidade e hoje é adotado em todo o País.
Quando comecei a escrever para a Folha, tinha o objetivo de falar sobre saúde de um jeito menos complicado, recordou. Numa das colunas, publicada em 1982, ele explorou o projeto do Centro Brasileiro de Estudos em Saúde (Cebes), que propunha a articulação de um novo sistema pautado por ações integradas, com foco na prevenção de doenças. As novas ideias agradaram os governantes e quando José Richa assumiu o governo do Estado, em 1984, o recém-formado Taha foi convidado pelo então secretário Luis Cordoni Júnior para trabalhar na Secretaria de Estado da Saúde.
Em Londrina, na gestão do prefeito Wilson Moreira, passou a atuar em projetos como educação em saúde para gestantes, promoção do aleitamento materno e difusão da hidratação oral. Elevado a chefe do 17º Distrito Regional de Saúde, transformou o órgão em 17ª Regional de Saúde, com o objetivo de pôr em prática o projeto de centralizar a saúde no município e realizar as ações integradas. Ele hierarquizou e centralizou os serviços. A proposta era que, se a pessoa tinha apenas gripe, devia procurar o posto de saúde e não o hospital, reservado para pacientes mais graves, explicou. Foi nessa época que se desenvolveu, na UEL, o Modelo de Atenção Primária em Saúde, adotado em Londrina e que se espalhou por todo o Brasil através do SUS.


