Falcão, Pretinho e Valente
Diz o ditado que o cão é o melhor amigo do homem, mas será que o bicho homem devolve a mesma consideração ao devoto companheiro canino? Nos últimos tempos, apenas em Curitiba e região, foram constatados três casos bárbaros de maus tratos contra animais. O primeiro foi o caso do cão Falcão, que ganhou destaque nos jornais depois que seu dono amputou-lhe as duas patas traseiras com um facão. Algum tempo depois foi a vez de Pretinho ser vítima da maldade humana. Ele foi amarrado no trilho do trem e também teve as patas traseiras amputadas.
Mais recentemente, outro episódio causou comoção pela crueldade cometida contra um filhote de poucos meses, que foi encontrado amarrado, com um osso atravessado na garganta, muito debilitado e com a coluna vertebral quebrada. A maladade foi obra de três garotos entre 12 e 14 anos, que teriam até mesmo abusado sexualmente do pobre animal. Por ter sobrevivido a tamanha atrocidade, o cãozinho ganhou o nome de Valente.
Pretinho foi adotado já nos primeiros dias em que chegou à Sociedade Protetora dos Animais de Curitiba (SPAC). A delicada condição de Valente impede que ele tenha o mesmo destino, mas não lhe tira a oportunidade de receber carinho.
Desde que soube do caso, Rosilene Marques vai à SPAC todos os dias cuidar de Valente, leva shampoo, limpa sua gaiolinha e pretende arcar com os custos da cirurgia a que ele terá que se submeter. ''Não posso levá-lo pra casa, mas quero ajudá-lo'', afirma.
Assim como Rosilene, a psicóloga e terapeuta Flávia Schimidt comoveu-se com a história trágica de Valente e todos os dias vai visitá-lo. Ela também não pode adotá-lo, pois já tem vários cachorros em casa que poderiam feri-lo. Para minimizar o sofrimento do animal, ela o trata com florais e até antidepressivos. ''Ele está mostrando pra nós que quer viver'', diz. (A.A.)





