O assessor técnico e econômico da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), Nilson Hanke Camargo, conta que a entidade está preocupada com a incorporação da ALL pela Cosan, embarcadora de açúcar e álcool. Por isso, a entidade impugnou a negociação no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A ideia, segundo ele, não é inviabilizar a transação, mas tentar garantir a prestação de serviço de transporte de carga aos produtores rurais. "O medo é que, na nova configuração, a ALL privilegie apenas o transporte das cargas da Cosan", afirma.
Ele acredita que, tendo a garantia de transporte para o agronegócio, a incorporação da ALL, que tem concessões na região Sul até 2027, será benéfica, porque a empresa terá mais poder de investimentos.
A falta de investimentos é uma das queixas dos usuários em relação à concessionária. Eles acreditam que, pelo fato de contar com exclusividade, a empresa não se empenha o suficiente para ampliar sua oferta de transporte. E também por isso ofereça uma tarifa de frete acima do desejado.
A reportagem não conseguiu entrevista na ALL. Por meio da assessoria de imprensa, a concessionária disse que investiu mais de R$ 12 bilhões nas malhas sob sua responsabilidade desde que assumiu os contratos. "Os constantes investimentos em tecnologia e melhoria da linha férrea permitiram que a companhia reduzisse em até 80% o índice de acidentes desde 2006", diz nota enviada à redação.
A ALL informou a quantidade de carga movimentada em suas cinco estações da região Norte do Paraná. No ano passado, foram 11,49 milhões de toneladas (ver quadro). (N.B.)

Imagem ilustrativa da imagem Faep receia incorporação da ALL
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