Acompanhando a expansão do ensino superior, que no início desta década no Estado chegou a 109% de crescimento no setor privado, segundo o Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do Estado do Paraná (Sinepe/PR), os municípios da Região Metropolitana de Curitiba (RMC) têm hoje nove instituições cadastradas no Ministério da Educação (MEC), todas particulares. Na Capital são 56, das quais apenas quatro são públicas, duas estaduais e duas federais.
Na disputa por alunos, algumas faculdades têm utilizado como recurso a incorporação do prefixo ''uni'' aos seus nomes fantasia, o que motivou o procurador regional dos Direitos do Cidadão no Paraná, do Ministério Público Federal (MPF), Sérgio Cruz Arenhart, a investigar o caso. A prática é proibida pelo Conselho Federal de Educação por mascarar a real autonomia das faculdades.
No mês passado, o procurador determinou à Polícia Federal a instauração de inquérito policial para apurar crime de improbidade administrativa cometido pelo diretor do departamento de Supervisão da Educação Superior do MEC, Mário Pederneiras, que não prestou ao MPF as informações solicitadas sobre a situação legal dessas instituições em Curitiba e Região Metropolitana. Como o MEC não atendeu o pedido do procurador, este solicitou a documentação diretamente às faculdades. Somente após o recebimento das respostas de todas elas, o que deve ocorrer até o final deste mês, o MPF poderá apurar se há irregularidades.
Entre 1999 e 2003, a participação de instituições privadas no sistema de ensino superior brasileiro passou de 82,5% para 88,86%. No mesmo período, no Paraná esse índice saltou de 69,44% para 85,43%, segundo dados do Sinepe/PR. ''Houve realmente uma demanda reprimida muito grande no final dos anos 90 no Brasil todo. Como existia uma demanda grande e ela foi atendida, já começam a sobrar vagas'', explica o presidente do sindicato José Manoel de Macedo Caron Júnior. De acordo com ele, a tendência agora aponta para uma acomodação desse mercado.
Um estudo feito por pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR) com base nos dados do Censo da Educação Superior no Estado aponta que no período entre 1991 e 2004 enquanto o número de instituições privadas cresceu 267% no território nacional, no Paraná a evolução foi bem superior, chegando a 412%. Em relação ao número de matrículas, a diferença é ainda maior. A média brasileira variou 311% no período, enquanto no Paraná a evolução foi de 603%. Só em 2004, o MEC registrou a abertura no País de seis novos cursos superiores por dia.
Ainda segundo o estudo, enquanto a expansão das universidades públicas e privadas congelou a partir de 1996, as instituições isoladas particulares cresceram 325,8%. O desenvolvimento do ensino superior no Paraná resultou, portanto, da proliferação das instituições isoladas (Centros Universitários, Faculdades Integradas, Centros de Educação Tecnológica, Faculdades de Tecnologia e Faculdades), o que também observa-se na RMC.

mockup