Faculdade pela tela da TV
PUBLICAÇÃO
sábado, 15 de maio de 2004
Chiara Papali<br>Reportagem Local 
Professores virtuais, aulas através de teleconferências via satélite e tira-dúvidas por e-mail. A tecnologia está aprimorando o ensino a distância, que até recentemente consistia basicamente no envio de material de estudo pelo correio. O ensino a distância traz pelo menos uma grande vantagem em relação ao tradicional, a facilidade de acesso, mas por outro lado a ''síndrome de isolamento'' do aluno faz com que o índice de desistência na modalidade chegue a 40%. O que não dá para negar é que cada vez mais esse tipo de ensino ganha espaço no Brasil.
E a tendência é crescer mais, segundo o professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Ronaldo José Nascimento, que integra uma comissão que estuda a implantação de cursos a distância na instituição. ''Num país geograficamente extenso como o Brasil, muitas pessoas não tem acesso a universidade até por causa da distância, e esse tipo de ensino passa a ser uma opção viável'', avalia. No entanto, se não na mesma proporção, mas rapidamente, crescem também as críticas ao modelo (leia texto nesta página).
Uma pesquisa patrocinada pela Unesco e financiada pelo Instituto de Estudos Superiores para América Latina e Caribe (Iesalc), aponta que hoje, no Brasil, são quase 150 mil alunos matriculados em cursos superiores a distância. Esse número é praticamente o dobro do apurado até o final do ano passado, quando haviam 84 mil matrículas em cursos superiores a distância.
Segundo um dos coordenadores da pesquisa, professor João Vianney, diretor de educação a distância da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), desde dezembro de 2002 até abril de 2004 o número de instituições credenciadas pelo Ministério da Educação para atuar com educação a distância cresceu mais de 90%. ''Até aquela data 32 instituições estavam autorizadas a atuar, e em abril deste ano o número de credenciamentos chegou a 60'', ressaltou.
No Paraná, são pelo menos cinco instituições que oferecem cursos de graduação, latu senso e sequênciais a distância. Entre elas, a Universidade Federal do Paraná (UFPR), a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e a Universidade Norte do Paraná (Unopar), em Londrina. A maioria dos cursos é voltada para a área de educação, principalmente o chamado normal superior, mas também abrangem turismo, matemática, agronomia, gestão ambiental e gestão em qualidade, entre outros. Na UEL, uma comissão deve apresentar até julho os critérios para a implantação de cursos a distância, que nos primeiros anos deve abranger somente as áreas de especialização e extensão.
Quando resolveu voltar a estudar, a funcionária pública Roseni Fernandes da Silva, de 37 anos, fez a opção por um curso normal superior a distância até porque achava que seria ''mais light''. Hoje, três meses depois, reconhece que se enganou. ''Inicialmente eu achei que seria fácil, mais 'light', mas no ensino a distância são muitos módulos e trabalhos para fazer. É uma nova forma de aprender, o aluno tem que ir atrás, procurar o seu saber, e é tão bom quanto o tradicional'', conta, brincado que ainda sente uma certa dificuldade durante as aulas pelo telão. ''É como TV, dá um sono...''.


