Facções tentam se consolidar
Atrativa pela ligação estreita com o Paraguai e pela pouca atenção que recebia do Estado até anos atrás, Guaíra tornou-se visada por facções criminosas, como a paulista Primeiro Comando da Capital (PCC) e as cariocas Amigos dos Amigos (ADA) e Comando Vermelho (CV). Relatórios de organismos nacionais e até internacionais apontam que eles estariam se estruturando na região a fim de se beneficiarem pelo tráfico de armas e drogas no Brasil.
Existem ramificações do crime organizado e, inclusive, já prendemos elementos que eram integrantes de quadrilhas e facções dos grandes centros, como PCC e CV, confirma o inspetor-chefe da PRF em Guaíra, David Alves. O endurecimento da fiscalização em Foz (onde a nova aduana, inaugurada no final de 2006, fiscaliza 100% dos veículos e pessoas), por exemplo, fez com que muitas quadrilhas subissem o lago até a divisa do Paraná com o Mato Grosso do Sul. A criminalidade em Guaíra estava se estruturando, mas digo que o que faz isso acontecer é a ausência do Estado. Nossa presença está ficando mais forte e a tendência é haver uma migração para outras regiões. Já temos informações de que muitas embarcações estão subindo até o Rio Piquiri (cerca de 30 km de Guaíra lago acima) para escapar da fiscalização federal.
Segundo o inspetor, a região de Guaíra tem maior tradição no contrabando de cigarro paraguaio, produto muito atrativo porque a margem de lucro é muito alta. Negócio que teria se tornado ainda mais atrativo após o aumento da tributação sobre o cigarro brasileiro. São comuns ainda os furtos e roubos de veículos no Brasil que são trocados por drogas e armamento no Paraguai. E Alves lembra que flagrantes de tráfico e de armas também não são raros. Essas atividades nunca estão separadas umas das outras. Onde tem contrabando tem tráfico de drogas e de armas, roubo de veículos. (L.A.)





