Facção continua a ser um bom negócio
PUBLICAÇÃO
domingo, 07 de setembro de 1997
Carina Paccola Londrina 
Josoé de CarvalhoCavichioli: Londrina faz para grandes marcas Na indústria do vestuário, é bastante comum dividir-se a produção em facções quando não há condições de uma única empresa dar conta de todo o processo - do corte ao acabamento. Isso ocorre em todos os níveis: até uma empresa familiar, de fundo de quintal, recorre a terceiros para superar alguma dificuldade de produção. Em Londrina, grandes e pequenas indústrias trabalham como faccionistas de marcas famosas.
É o caso da ZKF, que fabrica jeans para a Zoomp, Richards, a Pierre Cardin, e outros artigos para a Chocolate. Segundo o sócio da empresa Farage Kouri, as marcas mais famosas de jeans do Brasil colocam suas etiquetas em calças feitas aqui. Londrina é conhecida pela qualidade do produto. A ZKF produz todo mês cerca de 100 mil a 120 mil peças. Mas não faz isso sozinha.
Kouri diz que cerca de 20 mil a 30 mil peças são fabricadas por empresas menores contratadas. Elas recebem o tecido já cortado, o aviamento, e fazem a costura, recebendo por tarefa. A ZKF utiliza quatro empresas por mês.
O presidente do Sindicato da Indústria do Vestuário do Paraná (Sivepar), José Antônio Cavichioli, diz que trabalhar como faccionista é uma atividade que tem crescido bastante em Londrina. Nossa região é muito procurada para costurar para grandes marcas.
A fabricante de jeans Pedrina Nobre Marques está no ramo há 18 anos. Tem marca própria - a Tonys - e um ponto de venda no centro atacadista Armazém da Moda. Com dez funcionários, sua produção mensal é de 4 mil peças por mês. Pedrina conta que sua fábrica tem capacidade para produzir dez mil peças. Ele já chegou a fabricar 6 mil peças/mês.
Quando aparece serviço de facção, Pedrina aceita sem vacilar. É um serviço que ajuda muito, principalmente quando o setor está meio parado, diz. Se a encomenda é grande, Pedrina fala que pára a produção da sua marca para atender à facção e há vezes em que tem até que contratar mais funcionários. A facção tem sido um meio de sobrevivência para muitas empresas. Hoje, ganha mais quem está faccionando do que produzindo para si mesmo, explica.
Em casaCom estrutura menor, Sueli Aparecida Rodrigues, do Jardim Eucalipto, também trabalha como faccionista. Pego o que aparece, diz. Ela costura camisetas, bermudas, roupas de criança, cuecas, lingerie. Tem serviço que a confecção fornece maquinário. Já fiquei com uma reta industrial para pesponto, fala.
Mas nem sempre a empresa tem máquina fornecer, conta. Para superar essa deficiência, Sueli pensa em comprar uma reta industrial. É cara, mas vale a pena, justifica. As máquinas que possui foram compradas com dinheiro da costura. Ela está no ramo há quase dez anos. Meu marido trabalha, e meu serviço ajuda no orçamento, diz. A vantagem de trabalhar assim é poder tomar conta das crianças e da casa, além de não precisar usar ônibus para ir ao serviço.


