EXPRESSO
Eu realmente não entendo o motivo dessa bagunça toda que aconteceu para decidir sobre a necessidade (ou não) do diploma para os jornalistas. Quero deixar claro que falo a favor da causa, até porque sou acadêmica do curso de jornalismo e confesso que não é nenhum pouco agradável estar no terceiro ano do curso e o Supremo Tribunal Federal resolver decidir se o diploma do qual corri atrás nos últimos anos terá validade ou não.
Há os defensores ferrenhos do ponto de vista de que jornalista não precisa cursar faculdade alguma para exercer a profissão. Esses fundamentam seus argumentos na história que conhecem, ou pensam que conhecem, da notícia e dos meios de comunicação de um modo geral. Eles não entendem como é possível que em épocas passadas um jornal fosse produzido por médicos, professores e advogados e hoje necessite de um profissional especializado para isso.
Pois bem. Isso me dá a liberdade de não entender, então, como, em épocas passadas, um médico tratava da doença de um modo geral e hoje existem tantas especialidades. Por quê? Não é necessário, partindo dessa lógica, que um médico faça especialização ou residência em geriatria, psiquiatria, obstetrícia e tantos outros ramos que a ciência médica já descobriu...
Mas, se eu ousar falar isso em alguma faculdade de medicina ou mesmo em uma mesa de bar, tenho certeza que serei apontada como ignorante. Com toda razão, acredito.
As especializações existem para capacitar profissionais, para melhorar a qualidade dos serviços prestados, para garantir satisfação e credibilidade. Por que seria diferente com o jornalismo?
Existem, sim, os colaboradores de outras áreas ou ainda profissionais formados em duas academias. Há médicos, advogados, psicólogos, turismólogos que colaboram com os mais distintos meios de comunicação. Ainda mais em tempos de internet, que quando ler um blog e ler um jornal, infelizmente, é quase a mesma coisa.
Mas o jornalista é capacitado, como qualquer outro estudante que tenha passado por uma faculdade, a realizar as tarefas que cabem à sua profissão. Porque jornalismo é, sim, uma profissão.
Uma redação de jornal impresso, rádio, televisão e, recentemente, páginas de internet, é composta por profissionais que correm atrás de notícias, fontes, reportagens. Por qual motivo? Muito simples... Para informar, ajudar, esclarecer. Isso sem falar das inúmeras outras áreas de atuação do jornalismo...
Nós, jornalistas, somos os responsáveis por investigações e casos que muitas vezes fogem da responsabilidade pública. Ou um cidadão comum iria mesmo investigar fraudes e desvios públicos? Sem falar que nem tudo é o que parece. E isso não vale apenas para as questões relacionadas à corrupção e ao lixo diário exposto diariamente para o povo brasileiro. E esse é apenas um exemplo.
Nilson Lage, para quem não conhece, é jornalista há um bom tempo. Autor de vários livros, Lage explica que é preciso estudar, treinar, pesquisar antes de fazer uma matéria e, inclusive, uma entrevista.
Ricardo Kotscho, jornalista também, faz parte do exemplo típico a ser dado. O exemplo de profissional capaz que luta por uma boa reportagem e estampa em seu trabalho o resultado de anos de experiência e competência, características que repassa em seus livros didáticos, voltados para acadêmicos do curso de jornalismo e que são também uma prova de que por trás de uma boa prática há a teoria.
É imatura a ideia, portanto, de que a academia de formação de jornalistas é desnecessária. O curso não passa de uma graduação como outra qualquer e tem uma finalidade ímpar que é a de formar profissionais realmente capacitados, com a missão de transmitir não apenas informação, mas conteúdo a todos.
O erro, talvez, seja na interpretação deturpada sobre ''transmitir informação''. Essa é uma tarefa que exige aprendizagem, estudo, seriedade e competência. Se isso fosse uma inverdade, esse jornal não estaria em suas mãos nesse exato momento.
Daiana Geremias, estudante de Jornalismo em Curitiba.





