As eleições acabaram. Já temos nossos representantes. Prefeitos e vereadores eleitos estamparam as capas dos jornais. Não tenho nada contra o período eleitoral, responsável, aliás, pelo o que chamamos de democracia. O que me chateia nessas épocas de campanhas são as diferentes formas de abordagem.
O fato é que perdi a conta de quantas vezes acordei numa manhã de domingo com alguma musiquinha chata e irritante, talvez porque política não rima com café da manhã. Não aos domingos.
Moro em Curitiba e, quando caminhava pela Rua XV, sentia-me como uma prateleira velha, daquelas que a gente joga de tudo. Eu chegava em casa com panfletos, jornais, adesivos, plumas e paetês dos mais diversos candidatos. Confesso que eu até me diverti com algumas fotos estampadas e com a criatividade (ou a falta de) nas suas mensagens. Entre Josés e Marias da padaria, da farmácia, da feira, eu percebia o espetáculo eleitoral que tomou conta não só de Curitiba ou do Paraná, mas de boa parte do mundo.
O fato de algumas pessoas, entre elas eu inclusive, rirem com as propagandas políticas é um erro. Um erro, aliás, gravíssimo. Existem, sim, os políticos sérios, com propostas e campanhas sérias, mas e os demais? O que pretendiam, afinal? Recebi um link de um site que divulgava os candidatos com as campanhas mais estranhas, absurdas mesmo. Um usava o slogan ''cansei de trabalhar, quero ser vereador''. Algumas pessoas me disseram que ele foi honesto, pelo menos.
A honestidade política não é a questão. O ponto crucial de observação é a condição da nossa sociedade, constituída, acreditem, por mim, por você leitor, pelo fulano de tal da padaria e por aqueles que cansaram de trabalhar. É preciso olhar para o próprio umbigo. Há quem considere tal expressão um sinônimo de egoísmo, mas eu sou uma das pessoas que defende a idéia de que tudo depende do ponto de vista.
Olhar mais para o próprio umbigo talvez nos ajude a limpá-lo. Pode parecer utópico, imaturo ou até mesmo estúpido, mas o fato de reparar bem nas campanhas políticas, seus candidatos, suas maneiras de abordagem já é um exercício em prol de mudanças. Isso, é claro, para os que acham que algumas mudanças sejam necessárias.
Tive a oportunidade de conhecer e conversar com alguns vereadores e com um senador. São pessoas comuns, não mordem nem usam Chanel nº 5. Não fui pedir melhorias em meu bairro nem em Curitiba. Não fui conversar sobre eleições. Não fui fazer campanha ou recriminá-los. Fui tentar saber o que eles já tinham feito, o que faziam no momento e o que farão. Conhecer suas rotinas.
Tive a sorte de falar com políticos que não estavam ali porque cansaram de trabalhar. Pode ser que eles tenham enfeitado demais a profissão, ou, inclusive, tenham mentido. E, contra armadilhas mentirosas, questionei-os sobre os projetos já realizados e em execução. Recebi bons históricos de seus trabalhos. Não os defendo, entretanto. Mas ataco, sim, os candidatos que entram para o mundo da política querendo não mais trabalhar.
Em época eleitoral nós somos os patrões. Decidimos quem ocupará os cargos disponíveis. Olhamos o currículo, o histórico profissional, conversamos com os candidatos, se quisermos e corrermos atrás, lógico. Em época eleitoral eu e você, leitor, somos os chefes.
As eleições acabaram e, com elas, os apelos diários que recebíamos enquanto andávamos pelas ruas, dirigíamos nossos carros, comprávamos churros na praça. O que não acabou, contudo, foi o nosso cargo de chefia. E é preciso que o vejamos dessa maneira. Eu não sou apenas um número a mais nas estatísticas de eleitorado. Sou um animal pensante, assim como qualquer político, assim como você, leitor. Ocupamos a mesma posição enquanto cidadãos que somos e espero, do fundo do meu coração imaturo, que essa não seja uma utopia. Conversemos, portanto, com os vereadores e prefeitos eleitos. Nas próximas eleições não esqueça de avaliar os currículos. Eles contam muito no momento da contratação.


Daiana Geremias, estudante de jornalismo.

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