EXPRESSO
Conheço o Júnior há muitos anos, desde os tempos de faculdade, quando ele estudava odontologia. Formado, busquei-o profissionalmente muitas vezes, até que fui abandonado. Não fui o único. Júnior abandonou todos os adultos, após decidir trabalhar só com crianças e com ortodontia.
Sempre foi muito estudioso. Quando fez 40 anos de idade, na festa de aniversário, ao invés de dar-lhe um presente, ganhei. Ou melhor, ganhei dois presentes: um show e um CD. Ele presenteou a todos nós com músicas, canções e a surpresa: ele cantando. Na saída, entregou-nos um CD, segundo ele, um sonho dedicado à família.
Na apresentação, afirma: ''Sempre ouvi que a idade de quarenta anos é um momento de reflexões e planejamentos. Momento especial e oportuno para olhar o passado e pensar o futuro''. Bonito, aos 40 anos, pensar o futuro. Muitos, nessa idade, já desistiram.
Tempos depois, recebi um CD, disseram ser um presente que me mandavam. Quem me entregou disse: ''É um disco do Bernini''. Pensei: ''Não conheço, quem será que é?'' Só tinha ouvido falar de um Bernini, artista plástico do século XVI. Nada mais do que isso. Agora, aparecia um Bernini músico.
Abro o pacote e a surpresa: é o Junior. Outra surpresa: por que o Rosalvo Amaral Junior virou ''Bernini''? Homenagem a quem?
O ''Tanta Poesia'' é cheio de surpresas: as companhias são ótimas ''Osvaldinho do Acordeão, Omar Campos, Magrão, Fátima Romero, só para ficar em alguns - e ele canta bem.
Que ele tinha bom gosto pela música eu já sabia, portanto o repertório (''Caso encerrado'', de Paulino da Viola e Toquinho; ''Paciência'', de Lenine e Dudu Falcão; ''Cavalo Ferro'', de Raimundo Fagner e Ricardo Bezerra; ''O tempo da flor'', de Francis e Vinicius) não foi surpresa. Surpresa foi a sensibilidade e o profissionalismo na feitura do CD. Como sempre, continua um estudioso. Outrora, da odontologia. Depois, da ortodontia. Agora, da música.
Um sábado desses ligo o aparelho do carro na Rádio Educativa do Paraná, na hora do ''Conversa Afinada - um bate-papo e Música Popular Brasileira'', apresentado pelo Sílvio de Tarso. Programa inteligente, de bate-papo e boa música. O entrevistado, nesse dia, era o Bernini. Como já tinha começado, não sei se ele chegou a explicar de onde vem o ''Bernini''.
No programa, ouço o Júnior, digo, Rosalvo, ou melhor, Bernini, dizendo que quando comentou com um amigo que tinha lançado um disco (CD) e que o nome é ''Tanta Poesia'', o mesmo perguntou-lhe: ''É um CD de poesia?'' Ao que Bernini afirma ter respondido: ''Sim. Porque tanto as músicas como as letras são poesias.''
Ouvi várias vezes o CD, e concordo: tanto as músicas como as letras são poesias e assim deve ser, quando juntas. Caso não sejam, não existem como razão de afagos da alma. Uma ou outra em separado deve ser analgésico (poesia) para o espírito. Caso não sejam, não são poesias.
O Júnior continua o mesmo: combatendo a dor e modelando as vidas. Se, antes, combatia a dor de dente e modelava as arcadas, agora combate as dores da alma e modela o sentido do viver.
Dr. Rosinha, deputado federal (PT-PR), presidente do Parlamento do Mercosul.





