EXPRESSO
Como bailarinas há 25 anos, agora de forma amadora, eu e uma amiga fomos assistir ao espetáculo do Ballet Imperial Russo, no Teatro Guaíra. A montagem de Lago dos Cisnes prometia, pois há anos o palco do Guairão não recebe este ballet completo desempenhado por uma companhia profissional, exceto por algumas iniciativas adaptadas de escolas locais. É uma dança primorosa, clássica, muito difícil e de grande exigência técnica. Dentre as principais atrações, pode-se citar tranquilamente o corpo de baile dos 2º e 4º atos, em que os cisnes desenham formas suaves em cena e a versatilidade da bailarina principal que interpreta o cisne branco - sofrido, sensível e dramático - e o negro (no 3º ato) - alegre, vibrante e cruel.
Confesso que estávamos com expectativa, mesmo não tendo ouvido falar desta companhia e muito menos do seu corpo de baile; afinal o ingresso não saiu barato (R$ 130 - platéia) e a possibilidade de montagens clássicas no Guaíra está cada vez mais restrita. Para nossa profunda decepção, o que assistimos foi um espetáculo pobre, tecnicamente fraco e com os bailarinos principais muito aquém do que se espera de um grupo profissional.
O que mais indigna é a ignorância do curitibano que, sem qualquer cultura do ballet clássico, aplaude qualquer manifestação como se fosse um show artístico. O grupo de ballet do Ballet Guaíra, com todas as suas dificuldades apresenta um corpo de baile de nível superior e um repertório interessante, mas mesmo assim raras vezes reúne tantas pessoas, pagando valores tão altos.
Bem, voltando ao ballet, o corpo de baile foi drasticamente reduzido e houve um revezamento entre as bailarinas principais, duas diferentes desempenharam os papéis de mais destaque, outrora dançado pela mesma pessoa. Claro, há versões longínquas que permitem esta troca, mas são muito poucas, já que esta é a mais tradicional protagonista clássica e àqueles que conhecem o ballet clássico, já esperam ver as conotações expressivas que a bailarina irá fazer na mudança do cisne branco para o cisne negro.
Por fim, só lamentamos que Curitiba, que se intitula capital cultural, não tenha um corpo crítico para se manifestar a respeito desses espetáculos. A culpa não é da sociedade, dos jornalistas e tampouco governamental. É de todos nós, que não buscamos esclarecimentos, conhecermos a origem das companhias e divulgarmos esta arte mais do que centenária que é o ballet clássico.
Adriana Mugnaini , jornalista





