EXPRESSO
Sinais da Vida
A vida tem sinais peculiares. Eles aparecem subitamente na sua frente e causam uma sensação confusa. São sinais raros! Quando esses sinais acontecem pensamos no seu significado, eles têm que significar alguma coisa! Como estamos sempre em relacionamento com pessoas, assim estamos em relação a vida também.
Recentemente, nos últimos anos, a vida mandou sinais para mim. Quando eu estava esperando um sinal, estava impaciente e agitado. A despeito de tudo, sofrimento, pobreza, fome, miséria ... a vida manda para as pessoas os sinais, para que descubram caminhos melhores. Na realidade muitas vezes nós não vemos esses sinais, para ver é necessário ter grande fé que eles acontecem e fé na vida também.
Quando eu casei, e entramos no local da nossa festa, a música do filme O Poderoso Chefão foi tocada para nossa entrada. Eu escolhi essa música para esse momento especial. Eu lia o livro O Poderoso Chefão, de Mario Puzo, na minha infância. E ali na festa, quando escutava essa música, relembrei a minha infância e senti todas as emoções possíveis recheadas de lembranças. Essa música contém dimensões emocionais da vida: melancolia, amistosidade, maldade e benevolência etc...me traz emoções profundas.
No dia seguinte ao casamento, a vida mandou um primeiro sinal para nós. Nós fomos num shopping perto do hotel no qual estávamos hospedados para almoçar, quando estávamos almoçando, escutamos essa música assobiada, alto, por alguém que se aproximava da mesa. Nós pensamos que era alguém conhecido chegando até nós, nos viramos para receber esse conhecido, mas era um garoto desconhecido, que passou por nós, com suas mãos nos bolsos. Ficamos olhando até ele desaparecer. O primeiro sinal chegou. A vida relembrou a nossa felicidade e que estamos conectados com ela. Na realidade o menino que passou assobiando, era a própria vida dizendo que estava protegendo nossa felicidade.
O segundo sinal chegou no mesmo dia. Nós conversamos muitas vezes sobre o livro As 1001 noites, eu estava citando esse livro durante nossa conversa. A noite mudamos de quarto no hotel, nosso novo quarto era o número 1001! Eles nos deram nesse quarto, a coincidência que nos fez sorrir. Quando entramos nesse quarto nos sentimos como o Sultão e Sherazade, heróis do livro. Esse sinal pode ter significado que temos que viver como na história, com o tapete voador! Esses dois sinais nos fez mais felizes, mais crentes em nossa força para enfrentar os problemas da vida.
Depois dessa época estamos esperando o terceiro sinal, temos certeza que a vida vai nos mandar, com a força de uma cachoeira.
Erol Anar, escritor turco radicado em Curitiba
Música para surdo
Dias atrás caminhava com um amigo, o advogado Albuquerque, quando passou por nós um desses carros cujos donos ouvem música em volume ensurdecedor. Comentei como pode ouvir aquele tipo de música em tal altura. Ao invés de comentar a qualidade da mesma, Albuquerque respondeu que deveria ser música para surdo.
Coloco a palavra música entre aspas porque é difícil, ao menos para mim, considerar aquele bate-estaca eletrônico como música. Quando não estão ouvindo coisas do tipo Éguinha pocotó ou Tô enterradinha. Não sei o que é pior.
São ruídos de péssima qualidade e me desculpem os surdos e sem querer ofendê-los só surdos poderiam colocar naquele volume e com essa qualidade, pois não ouvem o que está tocando.
A primeira vez que vi e ouvi um carro desses, foi há cerca de uns dez anos, no Nordeste. O cidadão parou o seu carro na beira da praia, abriu o porta-malas e atacou de Reginaldo Rossi na altura de um trio elétrico. O CD acabava e, automaticamente, começava outra vez.
Depois de umas dez vezes, lá pelas quatro da manhã, compreendi que deveria ser proibido o uso de arma de fogo no Brasil, pois a vontade que tive foi dar um tiro em cada uma daquelas caixas de som.
De lá para cá, a coisa tem piorado, principalmente nas praias, e este tipo de comportamento se alastrou pelo Brasil afora. Hoje, em qualquer canto do país, lá está alguém achando ser o máximo: som alto e o lamentável gosto. Digo lamentável porque gosto não se discute, lamenta-se.
Provavelmente, algum leitor ou leitora deve também estar lamentando que eu esteja fazendo tais comentários.
Nos fins de semana, em vários pontos de Curitiba, às vezes inclusive em parques e principalmente em frente a alguns bares, somos agredidos por esses educados motoristas de refinada cultura musical.
Será que a cultura musical tem algo a ver com educação? Pergunto isso porque não me lembro de ter visto alguém de bom gosto ouvindo Chico Buarque, Edu Lobo, Lenine, Milton Nascimento, Elis Regina, Moacir Luz, Ravel, Beethoven, etc., nesse volume.
Ou os donos desses carros são surdos ou imaginam que surdos somos nós. Se não são, surdos com certeza ficarão, pois tímpano nenhum suporta todos aqueles decibéis. Ou, talvez, imaginam-se o máximo em cultura musical e que nós somos culturalmente surdos e atrasados.
Talvez, para se contrapor ao que escrevo, alguém diga que ouvir este tipo de música também é cultura, e que gosto não se discute. Mas cultura, sim. Então, lamento também essa cultura.
Dr. Rosinha, médico pediatra, deputado federal (PT-PR)





