Dias atrás, durante a campanha eleitoral, eu estava em Goioxim, município próximo a Guarapuava, quando o Valmir, candidato a vereador, me contou que saiu com o filho a pedir votos. Andou o dia todo com o menino.

No final do dia, chega em casa, cansado, e o menino mais rápido que nunca chega até a mãe e diz: ''Mãe, o pai pediu voto o dia inteiro, mas eu não vi ele ganhar nenhum''.

Todos os candidatos, durante os últimos três meses, pediram votos. Desde a noite do dias das eleições até hoje, alguns estão procurando saber por que não ganharam nenhum voto ou ganharam poucos votos. Não sei se há, mas houve um tempo em que havia candidatos que não faziam nenhum voto.

Alguns até eram depositados em seus nomes nas urnas, mas, na hora de contar, eram desviados. Com a urna eletrônica, essa prática não existe mais (assim espero).

Contam que, passadas as eleições, um compadre encontrou o outro que foi candidato e, sem dizer nada, foi lhe pregando a mão na cara. Surpreso, o que apanhava perguntou o que estava ocorrendo. O compadre respondeu com um palavrão e emendou: ''Nem você e sua mulher votaram em você''. Você só teve um voto - e fui eu quem votei.

Não sei se hoje tem algum candidato nessa situação, mas sei que tem muitos candidatos alegres e outros tantos tristes. Tanto entre os alegres como entre os tristes, há os que fazem as contas por que ''ganharam'' menos votos do que imaginavam ter. Há também os que ganharam poucos votos e, agora, fazem as contas de como pagar a dívida.

Mas como que se ganha voto?

Sei que nem todos ganham. Muitos compram. Certo que isso diminuiu, mas ainda existem os que compram. Mas, respondendo: as razões para ganhar o voto são muitas.

Nas eleições de 2002, após ser eleito deputado federal, voltei para as ruas com um panfleto agradecendo os votos. Procurei voltar a todos os lugares que tinha passado pedindo voto. Estava no ponto de ônibus da Praça Carlos Gomes, agradecendo o apoio e a confiança depositada em mim, quando uma jovem se aproximou perguntando se eu tinha sido eleito, uma vez que ela tinha votado em mim. Respondi que sim, e imediatamente perguntei por que ela me escolheu.

A moça respondeu que votou em mim ''por pena'', pois no sábado que antecedia a eleição, por volta das dez horas da noite, eu estava debaixo de chuva e frio, sozinho, pedindo o voto das pessoas no Centro de Curitiba. Naquela noite, entreguei o ''santinho'' e pedi voto para muita gente. Será que, das pessoas que encontrei naquela noite, só ela votou em mim e, assim mesmo, por pena?

Em 1998, eu fazia campanha para deputado federal na cidade de Maringá. Fui tomar um lanche na lanchonete da Associação dos Professores da Universidade Estadual de Maringá. Logo que o dono da lanchonete soube quem eu era, sentou-se à mesa e contou como ouviu falar do meu nome pela primeira vez.

Disse-me que, no dia da eleição, em 1994, telefonou para a mãe, que morava em Ponta Grossa, para pedir o voto para o candidato dele, porém foi pego de surpresa - ela já tinha votado. Perguntou em quem, e a mãe respondeu: ''Num tal de Rosinha''. Quis saber o porquê. Ouviu um: ''Achei o nome bonitinho''.

Como se vê, há muitas maneiras de ganhar o voto. Ganha-se voto até no dia da eleição, na boca-de-urna. Aqui em Curitiba, há um costume de na noite que antecede a eleição os cabos eleitorais saírem jogando ''santinhos'' nas ruas próximas aos locais de votação.

E o pior é que existem aquelas pessoas que, quando vão votar, juntam o modelo de célula do chão e votam. Esses são os mais alienado dos eleitores.

Dr. Rosinha, médico pediatra, é deputado federal (PT-PR) e presidente do Parlamento do Mercosul

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