EXPRESSO - Feito para mim
Ao ler o caderno FOLHA CURITIBA do último dia 22 de agosto, tive a impressão que ele tinha sido feito para mim. Já na capa do caderno, li uma matéria (Estrangeiros, graças a Deus) sobre os apaixonados pelo disco de vinil. Não sou apaixonado pelos vinis, nem colecionador e muito menos amante dos estrangeiros. Não é xenofobia, mas meu pequeno acervo de vinis é, em sua grande maioria, formado por artistas de música popular brasileira.
O primeiro long play (LP) que comprei, lembro-me até hoje. Eu não tinha radiola ou radiovitrola, era assim que se dizia, quando comprei, há mais de 30 anos, o Hora de lutar, de Geraldo Vandré. A partir daí, por um bom tempo, gastava parte do meu salário comprando LPs. Hoje, são cerca de 1,5 mil que enfeitam minhas prateleiras e alegram meus ouvidos e coração.
Na página 2 do mesmo caderno da FOLHA DE LONDRINA, mais duas matérias feitas para mim. Uma (Trecos) é a própria continuidade dos discos antigos. Traz uma foto de um LP de Chico Buarque, que deve tê-lo gravado com açúcar e com afeto. O mesmo afeto que deve ter tido o Omar Godoy ao querer dar um destino para a Pedreira Paulo Leminsky.
Ao contrário dele, nem em chistes darei opinião sobre o que fazer com a Pedreira. Recordo-me de quando a Pedreira era uma pedreira. Uma verdadeira pedreira, de onde se tiravam as pedras, que junto com o asfalto produzido por uma usina, que existia ali, servia para asfaltar as ruas de Curitiba.
Na pedreira trabalhavam muitos funcionários da prefeitura, em condições ambientais inadequadas, sem carreira funcional e com baixos salários. Sei disso porque, em meados da década de 1980, eu era presidente da Associação dos Servidores Municipais de Curitiba. Posteriormente, no final da mesma década, fui dirigente do sindicato, e ali em frente organizamos muitos protestos inclusive greves.
Mais tarde, a pedreira virou Pedreira Paulo Leminsky, colaram-se placas de autoridades, principalmente prefeitos, mais nem uma referência aos trabalhadores que ali passaram parte de suas vidas, inclusive sofrendo acidentes e algumas doenças.
Respeito muito o sofrimento das pessoas que perderam algum familiar, e louvo aqueles que, reconhecendo este sofrimento, tiveram a iniciativa de organizar o luto solidário, registrado na página 3 do mesmo caderno. Isto também tem a ver comigo, mas não comento.
Assim como a primeira, a última página da FOLHA CURITIBA, tenho quase a certeza que foi dedicada a mim. Tem um artigo (Modelando vidas) assinado por mim, e uma matéria sobre a Vila Izabel. Um pequeno erro: a nossa Izabel é com z, e não com s. Mas isso é o de menos.
Dias atrás cheguei de viagem e de imediato fiquei triste. A caixa de marimbondo e a casa do João-de-barro, que resistiam há dois anos, na árvore em frente ao edifício onde moro, não estavam mais nos galhos. Nem os galhos estavam mais na árvore. Os homi da prefeitura, ou a mando dela, passaram, cortaram galhos e árvores, sem dar nenhuma explicação. Com isso, destruíram muitos ninhos de amor.
Ah, quase esqueço: Jacobsen, parabéns pela homenagem ao Rettamozo.
Dr. Rosinha, médico pediatra,
é deputado federal (PT-PR)
e presidente do Parlamento do Mercosul





