EXPRESSO - Consciência ou código de ética
A escola do crime não pode ser mais forte que a escola do bem
Os escândalos ganham manchetes. A mídia mostra imagens de presos que tentam esconder o rosto. A descoberta do desvio de conduta faz com que as pessoas se sintam desnudas. Isso explica o ato de fugir, negar, abaixar a cabeça, desviar o olhar e as tentativas de suicídios, como ódio à imperfeição da própria vida e pelo medo de ser descoberto. Ficamos corados diante do flagrante. A vergonha de encarar a realidade é insuportável.
As normas da consciência e do código de ética precisam ser respeitadas. O foro íntimo é um tribunal tanto quanto o julgamento público. A consciência é a instância onde ficam armazenados os códigos advindos do mundo espiritual e os princípios aprendidos no decorrer da vida. Assim, o homem tem obrigações para consigo e ao quebrá-los se auto-agride e sofre conflitos existenciais. A auto-imagem arranhada pode produzir doenças. A dor de consciência abala o ser e ameaça o sentido da vida.
Ética é uma palavra de origem grega (éthos) e significa um conjunto de regras que regula as ações em uma sociedade. A raiz verbal (èiotha) significa ''estar acostumado a'', daí entender-se que a ética deve ser para os homens um manual de direitos e deveres que regulamenta, protege e dá garantias para se viver. A tradição oral é responsável pela formação ética, mas cabe ao Estado criar normas que regulem condutas na sociedade. O que não é proibido é permitido.
A máquina humana não vem com antivírus para bloquear o mal, daí a necessidade de normas. Como cada país tem as suas, é possível afirmar que a ética é cultural e contextualista. Os governantes devem cumprir e fazê-las cumprir. A falta desse cuidado afrouxa as normas, dissemina a impunidade e é negativo para o bem comum. Nessa esteira, é preocupante ter governantes que, por conveniências, ''nada sabem e nada vêem'' como se optassem pela filosofia da esperteza, onde tudo é possível desde que não se deixe apanhar. Assim, elevam templos ao mal e cultuam a anomia. Cometer crimes deixa de ser feio e antiético e se torna normal desde que se faça com arte.
Quando os próprios políticos não respeitam o código de ética, fica difícil construir uma sociedade justa. Por isso, o povo precisa sair da apatia e cobrar deles, fazendo valer a sua voz e o seu voto. Não houvesse desvio de condutas na política, não precisariam CPIs para inquirir e investigar. Por outro lado, no Brasil, os conceitos de família, religião e escola precisam ser repensados. A qualidade tem caído. Esse tripé tem a responsabilidade de formar o caráter, disciplinar o cidadão para viver em sociedade, respeitando normas e o que pertence ao próximo. Com ''bolsa-esmola'' e evasão escolar jamais se conserta o que aí está e não é dando o peixe que se ensina o homem a pescar.
Delinquência das autoridades suscita desconfianças e as enfraquece para exigir o cumprimento de normas. Instala-se a desordem. A escola do crime não pode ser mais forte que a escola do bem. A consciência, como resultado da formação do caráter, precede o código de ética. Consciências deformadas, de braços dados com a ética da meia-noite, momento em que todos os gatos são pardos, geram desesperanças. Quando a consciência fica cauterizada, resta o caos. Quando o tribunal da consciência deixa de julgar, cabe às autoridades policiais e aos tribunais o papel de restabelecer a ordem e a justiça. Há de se fazê-lo!
No cenário Edenico, houve concertos entre Deus e o homem. Ao quebrá-los, Adão e Eva ''sentiram-se nus e se esconderam''. Desde lá, o remorso castiga enquanto se espera a punição. Tentar sedar a dor de consciência é fazer catarse para exorcizar o mal. O drama entre se ocultar e vir a ser apanhado é o ato da queda da máscara da hipocrisia. É terrível! A expectativa de-ser-descoberto gera ansiedade. A punição da consciência ou a do código de ética é tragicamente dolorosa. Ao cometer erros, o homem exercita o auto-engano e se enrola na própria teia. Refugia-se em mecanismos de defesa e tenta maquiar a realidade. Essa é uma prática comum no mundo político. O ser político é estranho e pensa ter um código de ética próprio. Ledo engano!
As leis são normas que, se quebradas, requerem penas. Em ética, aprende-se que o homem é livre, dentro de limites e é, portando, responsável por seus atos. Quando falham as regras da consciência, é preciso que regras externas não falhem e punam as más condutas. É o que se espera.
Eudes Moraes (empresário)





