Exposição trata das interrupções dos sentidos
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sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Equipe da Folha 
As catarinenses Claudia Zimmer e Raquel Stolf apresentam desde ontem a exposição Estado-cegueira / Estado-escuta, no Museu de Arte Contemporânea de Curitiba. A proposta transita no modo de olhar e perceber as imagens, assim como na assimilação e coleção de ruídos, barulhos, silêncios e falas entrecortadas.
As artistas vão apresentar seus questionamentos a partir de fotografias manipuladas, objetos, instalações de vídeo e intervenções sonoras. A mostra tem entrada franca e permanece até 23 de novembro.
Com duas séries de três fotografias cada, intituladas de ''Mosca Volante I e II'', Claudia reflete a cegueira e a obstrução da imagem pelo receptor, e com duas ''caixas para meia paisagem'', ela recria a interrupção no ver a fotografia.
''Essas caixas podem ser manipuladas pelo público. Na verdade quero representar o estado que penso a cegueira nas imagens. Não só a física, mas a cegueira de sentimento e raciocínio. Por isso, a opção pela mínima visibilidade, por manchas ou por excesso de sombra ou luz'', explica a fotógrafa, que captou algumas imagens com um vidro manchado sobre a lente da máquina fotográfica. ''A parte sombreada da fotografia permite ao espectador criar uma imagem complementar a partir de sua própria memória sobre cada espaço''.
Já Raquel apresenta ''Cigarra'', uma instalação sonora composta de quatro pedras que emitem o som do inseto. Além de quatro vídeos de intervenção sonora nas cidades de Porto Alegre, Indaial e Florianópolis.
''Andei pelas ruas com uma mochila branca, de onde saia o som da cigarra. A recepção do público é diferente nas diversas cidades, mas o som do inseto nas duas capitais causou bastante estranhamento entre os passantes''.
O projeto de Raquel consiste ainda no ''Mar Paradoxo'', série de cem panfletos (que serão distribuídos ao público), construídos a partir de um poema num caderno de música.
As ''investigações práticas e teóricas'' das artistas fazem parte do trabalho de mestrado de Claudia e de doutorado de Raquel em Poéticas Visuais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
Já a idéia de ''estado-cegueira'' e ''estado-escuta'' vêm do conceito de ''estado-vídeo'' de Philippe Dubois. Segundo Claudia, ele pensa o vídeo como algo mais do que um modo de elaborar imagens.
''Ele o concebe como um estado que pensa as imagens, desde a gravação até a recepção pelo público, e os dispositivos que os acompanham. Partindo do conceito de Philippe, meu trabalho nasce da pergunta: É possível representar a cegueira? Se sim, como posso propor e com qual material?'', pergunta Claudia.
Serviço:
Estado-cegueira / estado-escuta
Local: Museu de Arte Contemporânea (Rua Emiliano Perneta, 29)
A mostra permanece até 23 de novembro. De terça a sexta-feira, das 10h às 19h. Sábados e domingos, das 10h às 16h
Entrada gratuita
Informações: (41) 3222-5172


