Explosão da violência no PR
Arquivo FolhaBlitz em bar de Curitiba: tentativa de reduzir índices de violênciaExplosão da
violência no PR
Violência! Esta foi a tônica do ano no Paraná. Violência nas cidades, nas estradas e no campo. Crimes, acidentes, choques, tensão. Um dado estatístico revelado em agosto dá o tom: nos primeiros oito meses do ano, cresceu em quase 30% o índice de homicídios em Curitiba.
Logo no primeiro mês do ano, um registro policial: em Santa Helena, um jovem matou a namorada, o pai e o tio dela. Motivo: o fim do namoro, decidido pela moça. E no final do mês, em Foz do Iguaçu, um pedreiro, preso acusado por embriaguez, foi baleado na delegacia e ficou paralítico. A justificativa para o tiro foi uma pretensa tentativa de fuga do operário.
No último dia de janeiro, a vítima da violência foi Maria Salete de Moura Lima, de 46 anos, filha do deputado Severino Felix. Ela foi assassinada com três tiros na fazenda Santa Terezinha, em Jataizinho.
No começo de fevereiro, um bárbaro crime, em Londrina: a advogada Alexandra Greice Blanco Disseró, 28 anos, morreu durante assalto no Bar da Mocidade, localizado na Vila Nova, em Londrina. Dois fugitivos da cadeia foram presos três dias após o crime, como suspeitos do crime. Em junho se noticiou que nenhum advogado queria defender os acusados pelo crime. Este assassinato fez com que a sub-seção da OAB em Londrina exigisse mais segurança no município. Curiosamente, o secretário de Segurança Pública do Estado, Cândido de Oliveira, afirmou no dia 7 de fevereiro que o Paraná tinha segurança adequada. No dia seguinte, Emília Belinati, que havia assumido o governo interinamente, chamou o Secretário pedindo maior ação para garantir a segurança no Estado.
No começo de março, em um dia, são registrados sete homicídios em Curitiba. E, no dia 18 daquele mês, a cobradora de um ônibus urbano é assassinada durante assalto, na Capital.
Em abril, o operário Ebiraci Vicente, de 32 anos, foi assassinado com tiro nas costas no bairro União da Vitória, em Londrina.
A violência também explode na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), em abril, culminando com uma rebelião, no dia 26. Em agosto, outra confusão na PEL, com um motim que durou 15 horas.
Este quadro acabou trazendo ao Paraná a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal que discutiu a questão, sem chegar a conclusões.
Em junho, um grupo de estudantes foi à Câmara de Londrina precisamente para pedir mais segurança na cidade.
Em agosto, uma ação desastrada da Polícia Militar gera pancadaria, envolvendo três delegados da polícia civil, diante de uma Delegacia de Curitiba. Dia 13 daquele mês, o Corregedor Geral da Polícia Civil, Anibal Bassan, deixou o cargo, abrindo crise entre os delegados do Estado. Para substituir Bassan, foi nomeado Marco Antonio Lagana.
Em setembro, uma quadrilha levou R$ 4 milhões em empresa de transporte de valores de Londrina. O expediente foi o sequestro de familiares dos responsáveis pela empresa que foram forçados a entregar o dinheiro.
Em Ibiporã, no dia 6 de setembro um jovem matou o tio, diante do avô que sofreu um enfarte e morreu.
LinchamentoLondrina registrou, em setembro, o auge em termos de violência. Dia 10, foi localizado o corpo da menor Greice Melo, de 5 anos, desaparecida desde o dia 1. Ela foi assassinada. Ademir Justo da Silva, vulgo Doidão, confessou o crime, afirmando ter agido por vingança. Por medida de segurança, Ademir foi levado preso para a PEL, onde foi linchado pelos presos. Como resultado, o diretor da Penitenciária, Carlos Nadolin, foi substituído no cargo.
No começo de outubro, a Pastoral da Criança lançava uma campanha contra a violência familiar, em Londrina. E dentro mesmo deste espírito, dia 14 era lançada uma campanha no município, exigindo o fim da violência. Curiosamente, um dos resultados da campanha londrinense foi uma denúncia: as peças publicitárias da campanha foram levadas ao Conar (órgão que regulamenta a publicidade no país). Isto aconteceu em 11 de novembro. Mas dias depois, o Conar aprovou a campanha.
Ainda no início de outubro, a Polícia Militar conseguia recuperar um malote roubado em assalto a carro-forte em Maringá, matando os assaltantes.
E, em Nova América da Colina incêndio em um barraco que poderia ser um acidente. Mas, segundo os técnicos se tratou de ação criminosa, um incêndio provocado que matou oito pessoas, entre as quais seis crianças.
Serial KillerPonta Grossa entrou de modo pesado no noticiário da violência, em outubro. Primeiro, no dia 10, a denúncia de que quatro pessoas teriam sido mortas em ritual de magia negra, entre as quais uma criança. A polícia suspeitava de um pai-de-santo, mas não teve sucesso nas investigações. Entretanto, dias depois, Osmir Aparecido de Souza era preso pela polícia e confessou a autoria de cinco crimes no município. Osmir, que tinha uma extensa folha policial, inclusive sendo suspeito de outros crimes no Interior de São Paulo, morou só três meses em Ponta Grossa, tempo suficiente para cometer os crimes. Mas negou ser o autor do chamado crime da magia negra.
Tantos incidentes acabaram por derrubar, no fim de outubro, a cúpula da polícia do Paraná.
Em novembro continua o registro de violências das mais diversas. Em Planaltina do Paraná, uma quadrilha sequestra a família de gerente de banco e rouba a agência. Outra gang bloqueia ponte no rio Ivai, entre Maringá e Cianorte, e rouba um carro forte, levando R$ 1 milhão.
Em Curitiba, a sra. Vera Crovador, esposa de um advogado assassinado, é presa, acusada de haver mandado matar o marido.
Em Londrina, dia 17, uma adolescente afirmou ter sido espancada por policiais da Rone no Jardim Paraíso. E o secretário de Segurança do Estado, que era esperado para uma reunião com lideranças comunitárias, em Londrina, dia 18, não apareceu, irritando ainda mais a coletividade.
Para mostrar serviço, a polícia começou dezembro fazendo arrastão pelos pontos mais perigosos da cidade. Mas serviço mesmo foi mostrado no dia 6 quando a PM agiu contra manifestantes que protestavam pela insegurança na BR-369. Usou balas de borracha e bombas de feitos moral. Feriu gente, prendeu manifestantes. O resultado: no dia seguinte, o Governo do Estado proibiu que a polícia volte a usar balas de borracha para conter manifestações.
Para fechar o ano, no dia 10, Apucarana fez manifestação pedindo o afastamento de toda polícia civil da cidade. Motivo: a violência. E no dia 19, uma quadrilha formada por cinco homens e uma mulher invadiu um edifício de luxo no bairro do Batel, em Curitiba. Assaltaram os 10 apartamentos do condomínio, levando jóias e dinheiro.





