Experiências genéticas ainda assombram
Duas décadas antes de Dolly, bebês de proveta assombravam o mundo e obrigavam religiosos a rever seus conceitos
Agência EstadoQuando o assunto é biologia e medicina, o Século 20 salta aos olhos como a era da genética: clones, transgênicos, engenharia genética e biotecnologia seriam palavras impensáveis antes de 1900.
A ovelha Dolly passou para a História em 1997 como o primeiro animal reproduzido em laboratório a partir de uma célula comum. Duas décadas antes dela, bebês de proveta assombravam o mundo e obrigavam religiosos a reverem seus conceitos de Deus e reagirem diante da ruptura entre Ciência e Ética. Um abalo ainda maior do que o provocado em 1951, com a invenção dos anticoncepcionais orais e toda a revolução sexual que se seguiu.
Depois da ovelha Dolly, para conferir um tom de dúvida ao fim do século, os alimentos geneticamente modificados dominaram a arena das grandes polêmicas. De um lado, consumidores sem garantias sobre os efeitos das alterações genéticas sobre sua saúde. De outro, empresas biotecnológicas, minimizando os possíveis efeitos colaterais.
Os feitos da genética não obscurecem, porém, outros avanços do século, como os transplantes de órgãos. Eles tornaram-se viáveis aos poucos, com as contribuições de diversos especialistas, como o francês Alexis Carrel, Nobel de Medicina em 1912, que demonstrou a possibilidade de sutura dos vasos sanguíneos, ou do austríaco Karl Landsteiner, que em 1909 identificou os quatro tipos sanguíneos (A, B, AB e O) e, sem dúvida, com a descoberta dos antibióticos a partir da penicilina, identificada pelo escocês Alexander Fleming, em 1928.
France PresseBERRO ECOLÓGICOFantasiados de ovelha Dolly, primeiro animal clonado pelo homem, ecologistas protestam na Alemanha contra a liberação de produtos transgênicosTambém a Medicina Preventiva caminhou a passos largos com as vacinas. Apesar de ter suas raízes nas pesquisas de fermentação e imunologia, com as quais já trabalhava Louis Pasteur em 1877 ano de fundação do Instituto Pasteur em Paris, as vacinas desenvolveram-se mesmo no Século XX. A grande maioria da população ganhou armas contra doenças como difteria, febre tifóide, febre amarela, tétano, poliomielite, coqueluche, sarampo e, mais recentemente, vários tipos de gripe, hepatite e meningite.
Mas a malária atravessou o século desafiando os imunologistas, por diversas vezes prestes a ser dominada pela promessa de uma vacina. E surgiram ou foram identificados novos males, como a Aids e as dezenas de formas de câncer, sobretudo os associados à radioatividade e poluição. Estes ficam para o Século 21 decifrar.





