Excesso de estímulos rouba a concentração
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domingo, 28 de outubro de 2007
Fabiana Caso<br>Agência Estado 
São Paulo - A cena é corriqueira: você atende o telefone, ao mesmo tempo em que o celular toca, novos e-mails pipocam na tela do computador e pessoas falam ao seu redor no escritório. Em meio a essa sobrecarga de estímulos, nem sempre é fácil manter o foco e finalizar as tarefas. O resultado é que se trabalha cada vez mais horas, sem, contudo, garantir uma maior produtividade. ''As pessoas preferem ficar até depois do expediente porque são menos interrompidas'', constata Christian Barbosa, autor do livro ''Tríade do Tempo'' (Campus) e um dos diretores da empresa de mesmo nome, especializada em gestão de tempo.
O esquema ''desfocado'' das horas extras cobra honorários da vida pessoal. A começar pela falta de tempo para ver os amigos e conviver com os familiares. Fica ainda aquele sentimento de frustração pela falta de conclusão das tarefas. Christian acredita que as empresas também têm culpa. ''Geralmente não há uma política clara de prioridades'', comenta.
No momento, ele está finalizando um livro sobre gestão de tempo para mulheres, com previsão de lançamento para o fim de ano, pela Editora Gente. ''A mulher tem mais urgência de tempo, pois acumula papéis: deve ser boa profissional, mãe, filha, amiga.''
Independentemente do sexo, ele constata que as pessoas perfeccionistas tendem a ser mais focadas. Já as comunicativas costumam ''pular mais de galho em galho'' e dizer muito ''sim''. A pesquisa da Tríade do Tempo constatou que 75% dos brasileiros têm dificuldade de dizer não, um fator que leva, por si só, à falta de foco.
A psicóloga Ana Maria Rossi, especialista em estresse e autora do livro ''Autocontrole'' (Record), comenta que a falta de foco é uma das queixas mais comuns em seu consultório. ''Isso acontece porque as pessoas estão expostas a muitos estímulos.'' O estresse, o medo e a raiva também podem minar o poder de foco, mas a ansiedade é a principal sabotadora interna. ''Os ansiosos não se concentram no presente, estão sempre preocupados com o futuro ou passado'', constata ela, que também enquadra a mulher como mais suscetível ao problema por ser uma ''multitarefeira'' por natureza.


