Excentricidades de hóspedes rendem boas histórias
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sábado, 20 de agosto de 2005
Cristiana Vieira<br> Agência Estado 
São Paulo - Quem é que nunca se espantou com as exigências de astros e estrelas em hotéis de luxo? Há histórias clássicas como, por exemplo, a de Madonna, que pediu para montar uma academia em sua suíte. Ou as famosas 25 toalhas de banho que Michael Jackson pediu em sua passagem pelo Brasil esquisitices até hoje imitadas por muita gente mundo afora. São os anônimos, porém, que se superam em excentricidades...
Imagine quantas dessas histórias os funcionários que circulam pelos corredores dos hotéis de luxo têm para contar. ''Dá para escrever um livro'', diz o gerente do Gran Meliá Mofarrej, em São Paulo, Daniel Mallevergne, 60 anos 40 de profissão. E, quando o telefone do gerente ou do concièrge aquele que presta serviços personalizados toca... ''Preciso de seis travesseiros'' foi o que o concièrge do Sofitel São Paulo, Sérgio Bezerra de Menezes, ouviu numa ocasião.
Em tempos de mensalão, uma história marcante foi a de um executivo estrangeiro que passou um dia no Hilton São Paulo e levou 30 malas. Tiveram de reservar uma suíte só para elas, que ficaram sob os olhares atentos de um segurança particular. O conteúdo? Não se sabe.
Em outra ocasião, Perillo recebeu um hóspede árabe que queria alugar uma limusine cor-de-rosa para ir a uma festa. ''Não encontramos em nenhum lugar do País'', conta o gerente. ''A solução foi alugar uma branca e mandar pintar.''
Mais excentricidades Certa vez, funcionários do Caesar Park Ipanema, no Rio, receberam uma ligação do Caribe pedindo uma reserva para um príncipe árabe que estava de férias por lá e queria passar um tempo no Rio. Até aí, tudo bem. Mas, na reserva, exigiram que o carpete da suíte, que era bege, fosse todo trocado por branco. A reforma foi providenciada, ao mesmo tempo em que o tal príncipe adiava a viagem. Até que um dia, finalmente, ele cancelou. ''Não vieram, mas assumiram todas as despesas'', garante o então gerente do Caesar, Waldemar Botelho, que hoje trabalha no Caesar Park Faria Lima.
Num hotel em que se recebe ''caixinha'' de R$ 1 mil, só se pode esperar por hóspedes ultra-exigentes. Imagine que um desses pediu para o mensageiro do chiquérrimo L'Hotel, em São Paulo, ajudá-lo a levar um quadro, comprado na capital paulista, para sua casa. Detalhe: o mensageiro foi até Florianópolis para isso. ''Mas ele foi escolhido porque entendia de arte'', explica o gerente-geral, Marcello França.
Numa outra ocasião, França precisou alugar um jatinho para que seu cliente fosse buscar a mulher no interior. ''Acho que eles tinham brigado'', diz. Não contente, pediu 60 dúzias de rosas colombianas.
Há, ainda, as manias que as pessoas levam para os hotéis. ''Há um alto executivo do Citicorp que pede uma bombonière repleta de balas jujuba para quando chegar no quarto'', conta Mallevergne, do Mofarrej.
O ex-gerente do hotel Emiliano, Roberto Solleberg Jeolas, lembra de muitas histórias do seu tempo de hotelaria. ''Tinha um figura, famoso, que não tomava todo o iogurte durante o café da manhã, mas pedia para guardar para que ele pudesse reaproveitá-lo no dia seguinte'', conta. Ele se lembra das diversas ligações noturnas com pedidos inusitados. ''Queriam tomar canja sem galinha, que fizessem papinha para o cachorro...'' Para Jeolas, há um frase que circula nas rodas de hoteleiros que pode explicar muita coisa: hotel, se cobrir vira circo; se cercar vira hospício.


