A avaliação médica cuidadosa nas revisões de saúde e a construção do relacionamento entre profissional e paciente está cedendo espaço ao excesso, e até à duplicidade de exames, analisa Ivan Pozzi, cirurgião e gestor de Regulação da Unimed Londrina. A duplicidade acontece, por exemplo, quando um médico especialista não cruza informações com outro profissional que eventualmente foi consultado, solicitando novamente um exame que já foi feito.
  O cardiologista Manoel Canesin é da opinião, inclusive, de que a realização de muitos exames pode até confundir um diagnóstico, levando o paciente ao sobrediagnóstico. Afinal, a possibilidade de encontrar algo errado quando são feitos muitos exames é maior, mas não se sabe se aquilo vai se transformar mesmo em doença. Assim médico e paciente se veem na posição de realizar o tratamento, e todo tratamento traz consequências, concordam o cardiologista e o gestor da Unimed Londrina.
  Também entra neste contexto a questão do custo de saúde. A realização de exames desnecessários inviabiliza o caminho da sustentabilidade aliada à qualidade e eficácia do serviço, com acesso à rede por todos. Houve uma época, Pozzi conta, que as operadoras de saúde chegavam a proibir o checkup. ‘‘Era uma medicina mais voltada para o curativo. Hoje, temos mais que estimular a prevenção.’’ No entanto, a Unimed realiza, junto aos cooperados, um trabalho de acompanhamento do número de exames e consultas, enxugando os excessos, sem ferir a prática médica. ‘‘A Unimed, como operadora, entende que qualquer exame bem indicado vai ter seu custo justificado. Mas excessos, desperdício, estão presentes tanto na saúde pública quanto privada.’’
  ‘‘Mas é claro que hoje você precisa fazer exames também’’, ressalva Canesin, por sua vez. Com o desenvolvimento da medicina e da tecnologia, os benefícios da disponibilidade maior de exames e do diagnóstico precoce são uma realidade. ‘‘Trinta anos atrás morria-se mais cedo por dois motivos: por fatores de risco e porque o diagnóstico era mais tardio.’’ Entretanto, ele comenta que muitos já se esqueceram de que os exames são complementares ao exame clínico minucioso. ‘‘Se não vem seguido de uma boa anamnese, uma boa história e um bom exame clínico, ele atrapalha’’, resume.

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