São Paulo - ''As diretrizes do comportamento politicamente correto são nobres quando avaliadas pontualmente'', afirma Luís Felipe Pondé, professor de filosofia da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, da Fundação Armando Álvares Penteado e da Casa do Saber. ''Mas o exagero leva à paranóia e cerceia as liberdades individuais.''
Segundo Voltaire, todo homem é culpado pelo bem que não faz. A questão é saber se é realmente benéfica essa exigência insana pelo bem.
Para o engenheiro de produção Rodrigo Langone, 23 anos, a correção política inibe a espontaneidade. ''Não se pode dizer o que se pensa'', afirma. ''Pior, não se pode dizer uma verdade completa sem que isso deponha contra você. Entre amigos, ainda bem, posso ser eu mesmo.''
Na opinião do cartunista Danilo Gentili, 26, criador do site de humor ''Politicamente Incorreto'' (www.politicamenteincorreto.com), regrinhas fixas de vocabulário e comportamento desestimulam a reflexão. ''Uma pessoa é politicamente correta ou não de acordo com o contexto, de acordo com o que se espera dela'', relativiza.
Isso, lembra ele, sem mencionar que a falibilidade humana justamente os vícios que a correção política condena é a principal matéria-prima da arte e do humor. Falta ao fanatismo politicamente correto, portanto, a sabedoria de não se levar tão a sério. E o prazer indiscritível de rir de si mesmo. (L.Q./AE)

mockup