Ex-pólo exportador busca atrair varejo
Valmir Denardin
Os bairros Vila Portes e Jardim Jupira, fervilhante pólo exportador na região da Ponte da Amizade até meados desta década, hoje buscam no consumidor final o principal fator de seu renascimento. Unidos na Associação Comercial e Industrial da Vila Portes e Jardim Jupira (Assoportes), os dois bairros iniciam um amplo plano de revitalização.
Queremos manter a exportação, mas nosso forte hoje é o varejo, diz o lojista Mohamed Ismail, diretor de Promoções da Assoportes. Antes vendíamos em caixas, depois em dúzias e, hoje, em unidades. Para o diretor de Exportação da Associação Comercial e Industrial de Foz do Iguaçu (Acifi), Ali Osman, a decadência da Vila Portes e do Jardim Jupira como pólo exportador para os mercados paraguaio e argentino teve duas causas principais: a implantação do Plano Real no Brasil e a entrada em vigor do Mercosul.
Em julho de 94, o Brasil adotou o real, nova moeda cujo valor foi equiparado ao dólar. Durante alguns meses, o real chegou a valer até US$ 1,20, o que representou um duro golpe às exportações brasileiras. Se um produto custava R$ 10,00 na fábrica brasileira, estava valendo US$ 12,00. A mercadoria brasileira ficou muito cara no exterior, compara Osman.
O segundo golpe foi a abertura comercial provocada pela entrada em vigor do Mercosul, em janeiro de 95. As indústrias brasileiras, que abasteciam as exportadoras de Foz, passaram a abrir distribuidoras de seus produtos diretamente nos mercados consumidores, principalmente no Paraguai.
As exportadoras perderam um mercado cativo, conquistado ao longo de anos. A maioria das empresas do ramo não suportou a crise. Das 400 exportadoras da Vila Portes e do Jardim Jupira, 300 fecharam as portas.
Quatro anos depois, as 100 exportadoras que restaram e os outros 200 estabelecimentos de outros ramos se uniram para revitalizar a região. Com a participação da prefeitura, o programa vai recapear o asfalto das ruas, reformar calçadas, melhorar a sinalização viária, abrir áreas para estacionamento, restaurar canteiros, melhorar a coleta do lixo.
A principal obra pública será a Praça da Alfândega, que a prefeitura promete concluir até o início da Copa América, no dia 29. A um custo de R$ 140 mil, será recuperado e urbanizado um trecho de 200 metros de extensão ao longo da BR-277, perto da aduana da Ponte da Amizade. Seremos o cartão de visitas de Foz do Iguaçu na Copa América, anima-se o presidente da Assoportes, Ranulfo Batista da Silva.
Além de investir no embelezamento, os empresários atacaram outro problema da região: a falta de segurança. Todo mês, destinam R$ 1,6 mil para ajudar a manter um destacamento da Polícia Militar instalado na Vila Portes em 1996. Antes considerados a área mais violenta de Foz, hoje os dois bairros são uma das mais tranquilas. A violência caiu 80%, arrisca Ismail.
Para atrair compradores, a região - que hoje reúne desde agências de turismo, bancos, lojas de preço único e até um forte comércio de hortifrutigranjeiros -, fará uma campanha de vendas durante a Copa América. Estão programados vários shows. As lojas, decoradas com as cores da bandeira do Brasil, vão oferecer descontos.





