''Estamos indo para São Paulo em um avião da Aviação Arco-Íris, que comportava sete passageiros. Eu no último lugar, e o Horácio Coimbra sentado mais à frente, dormindo durante a viagem. A uma certa altura, falha o motor e o avião começa a perder altura, voando meio torto, fazendo muito barulho. O Horácio acorda de repente, vira para mim, e diz: 'me dá um cigarro?' Eu respondo: 'Toma. Se você quiser fumar, fuma. Mas nós estamos caindo'. E aí ele levou aquele susto!''
O episódio, passado em Itapetininga, é contado com bom humor pelo pediatra Afonso Haikal, 88 anos, outro sobrevivente da primeira turma do Aeroclube de Londrina. Coimbra, o companheiro de acidente, fundador da Companhia Cacique de Café Solúvel e já falecido, também passou pela escola. A história da queda teve desfecho feliz: depois de aterrizar numa estrada e fazer três cavalos de pau, o avião da Arco-Íris bateu de frente em uma árvore, mas todos saíram ilesos. Talvez pelo espírito aventureiro que reinasse entre os pilotos da época, os acidentes são lembrados apenas como capítulos pitorescos da história da aviação.
Jonas Faria de Castro Filho diz que guarda o ''mérito'' de ter pilotado o primeiro avião que caiu em Londrina. ''O instrutor da época, Anélio Celso Viesser, estava comigo. Batemos numa árvore a 20 metros de altura, próximo a um ribeirão atrás de onde fica hoje o (Shopping) Catuaí, mas não sofremos nenhum arranhão. O avião, aquele primeiro TSH, ficou destruído. Durante muito tempo, quando eu ia dormir, tinha a sensação de que o avião ia cair e acordava. Mas depois também ganhei uma medalha por perícia de vôo'', ressalta. (V.N.)

mockup