A impressão que se tem ao olhar para o jornalista Sidmar Pommer, 32 anos, é de que ele nasceu para ser magro. Com 87 quilos proporcionais à sua altura, o cascavelense combina com o rosto fino e comprido que ostenta hoje. Não há nada nele que lembre o Sidmar de 167 quilos que temia morrer de doença cardíaca dois anos atrás; apenas fotos e uma camisa antiga sobraram para provar que ele já foi outro homem.
  Pommer é o que se pode chamar de um exemplo bem-sucedido das cirurgias de redução de estômago. Não apenas por ter reduzido seu peso à metade, mas por ter sido tão feliz na adequação aos novos hábitos, à nova vida que a operação lhe impôs. ‘‘Não consigo me lembrar de nenhuma grande dificuldade que tive após a cirurgia. Tem gente que enlouquece nas primeiras semanas, quando só se pode ingerir líquidos. Eu sabia que tinha pensar para a frente. Subia na balança, me via perdendo peso a cada dia e me motivava mais ainda’’, recorda.
  Sem essa motivação, seria desesperador trocar uma alimentação que costumava ser medida em quilos por pratos de 200 gramas. Isso de uma hora para outra. ‘‘O meu prazer era comer. Era muita carne, massas, refrigerante, cerveja. Num único almoço consumia um quilo de comida. Hoje, em um self-service, só gasto uns R$ 2,00. Se comer um pouco mais, já sinto um mal-estar’’, compara. Amante de churrascos, Pommer cortou de sua dieta justamente as carnes vermelhas. ‘‘No máximo uma carne moída, um bolinho, porque a carne vermelha é muito indigesta. Foi opção minha, o médico não proibiu nenhum alimento. Posso comer de tudo, mas em quantidades limitadas’’.
  Abandonar o antigo corpo significou superar toda uma história de obesidade. Quase toda a família do jornalista, diz ele, tem excesso de peso. Seu pai morreu em 2000, com apenas 55 anos, com problemas cardíacos. Pommer lembra que sempre foi ‘‘gordinho’’, mas que até os 18 anos praticava esportes e era mais saudável. ‘‘Depois parei com tudo, comecei a comer e engordar sem parar. Quando meu pai faleceu, tive um ‘estalo’. Vi que poderia ter o mesmo destino e decidi que queria aproveitar mais a minha vida’’, conta.
  Sempre determinado, ele dispensou a preparação com um psicólogo antes da operação, como o médico havia recomendado, e partiu para a mesa cirúrgica. ‘‘Nem cabia na maca direito. Logo depois já comecei a ver meu rosto ‘enxugar’. Seis meses depois nem minha mãe me reconheceu quando fui visitá-la’’, recorda. O guarda-roupa passou a ser renovado constantemente, conforme os tamanhos iam caindo. A camisa que chegou a ser número 10 hoje é 2; a calça 60 foi reduzida para 42.
  Nos próximos planos do jornalista está a retomada das atividades físicas, que ele interrompeu há alguns meses, e uma cirurgia plástica para remover gorduras pendentes.‘‘Eu me olho no espelho e rio sozinho. Não sinto nenhuma falta do Sidmar do passado e não me arrependo de nada’’.

mockup