Ex-lojistas acumulam queixas
O fechamento da Rua 24 Horas causou transtornos aos seis lojistas que ainda mantinham seus pontos comerciais no local. Cândida Mendes, que administrava um café, trabalhou lá por 11 anos. ''Quando entrei, comprei o ponto por licitação por tempo indeterminado. Hoje, contabilizo quatro prejuízos: do gasto na licitação, da reforma que tive que fazer quando peguei a loja, da demissão de funcionários, e do lucro cessante que estou deixando de ganhar. Fomos jogados fora'', desabafa.
Hoje Cândida trabalha em um café no Shopping Novo Batel, loja que ela já possuía antes de começar no ponto da Rua 24 Horas. ''Recebi da Urbs uma promessa verbal de volta, mas aí vai depender de quem vencer o edital'', acrescenta.
Permissionário mais antigo da rua, Roberto Amaral, sócio da Revistaria e Cyber Café 24 Horas, estava lá desde a inauguração. Mudou-se para um imóvel na saída da Rua Visconde do Rio Branco, próximo ao local original, na região conhecida como Largo da 24 Horas, que não constitui parte do projeto urbanístico. ''Até hoje os turistas vêm aqui para tirar fotos, mas acabam frustrados ao encontrar a rua fechada. Eu fico envergonhado'', confessa Roberto.
''A Rua foi perdendo seu charme, foi se deteriorando. Com o desgaste, as lojas foram caindo, e como o aluguel era alto, muitos não conseguiram se manter. No meu caso, sempre tive lucro e minha loja estava sempre aberta. Ela nem tinha chave'', orgulha-se.
Roberto também tem uma promessa de volta feita pela Urbs, assim como Regina Palazim, dona de uma loja de lembranças da cidade. Ela também se queixa do estado em que se encontrava a rua. ''Meu caso é específico. Eu vendo Curitiba. A frequência estava ficando ruim, cada vez menos turistas visitavam a rua. Hoje estou em uma loja em frente à Ópera de Arame, e sempre ouço clientes dizendo que sentem falta da Rua 24 Horas'', cita.
Regina lembra da presença de artistas no local, como Adriane Galisteu, Cid Moreira e do grupo RBD. ''Fiquei lá por muito tempo e farei força para retornar. Torço para que a rua volte a ter o glamour de alguns anos atrás'', empolga-se a lojista, mesmo tendo recebido a notícia sobre o fechamento como uma surpresa. ''Nas reuniões que tivemos no Ippuc, sempre foi falado em reforma, mas não sobre sair da rua. Fui avisada sobre isso em agosto'', alega.
Giovani de Oliveira, ex-dono da lanchonete Frango Que Ri, reforça a queixa. ''Tivemos várias reuniões para discutir a reforma, mas nelas nunca foi citado que teríamos que sair. O aviso foi feito 30 dias antes. Não dava tempo pra gente se estruturar. Até hoje não consegui fechar a empresa'', reclama.
Mesmo depois do transtorno, Oliveira afirma que voltaria para a Rua 24 Horas, se lhe oferecessem novamente um ponto. O mesmo diz Jucélia Talla Vechia, que também era proprietária de uma lanchonete. ''Fomos passados para trás. Lutamos tanto pela reforma, e quando conseguimos, somos dispensados, e só nos avisaram um mês antes. Foi injusto com um funcionário que aguentou por 10 anos a Rua 24 Horas com todos os seus problemas, como goteiras, incêndio e a queda no movimento'', lamenta.
Apesar dos infortúnios, Jucélia aponta que sempre teve lucro em seu comércio. ''Hoje estou com empresa sem ação. A Urbs está em dívida comigo. Enquanto não me derem um novo ponto, estou sendo lesada. Chegaram a me oferecer outros pontos, mas eram em locais inseguros, com muitos assaltos'', queixa-se.
Situação diferente teve Rosa Maria de Andrade, que era dona de uma casa de petiscos. ''Fui a única que consegui algo com a Urbs. Numa das reuniões eu pedi outro ponto, afinal lutamos tanto pela reforma, não era justo que saíssemos de repente'' conforta-se. ''Me foi oferecida uma lanchonete vazia na Rua da Cidadania da Praça Rui Barbosa, e eu aceitei. Saí de um ponto turístico para um popular, com rendimentos menores, mas estamos aí batalhando, matando um leão por dia'', resigna-se.
Quanto às queixas dos antigos lojistas, a Urbs se defende alegando que a comunicação de fechamento foi feita um ano antes, como procede em todos os encerramentos de permissão de uso e que foram feitos procedimentos de realocação. A empresa informa também que os contratos firmados com os lojistas eram a título precário, e neste caso o município pode proceder desta forma quando há demanda de reforma. (R.J.D.)





