EVOLUÇÃO DA IMPRENSA - Remanescentes falam da trajetória e importância do jornalismo local
Para jornalistas que atravessaram décadas trabalhando na Folha de Londrina, o jornal sempre se destacou no cenário nacional por sua postura de irreverência. Um desses profissionais é o atual chefe de Redação, Oswaldo Petrin, 56 anos: ''A Folha tem uma trajetória de coragem, irreverência e crítica construtiva, características que permanecem. Ela mantém esse estilo e vem melhorando a qualidade do seu conteúdo editorial; tem uma ótima equipe de repórteres. Em termos comparativos, com exceção dos três maiores jornais do País, poucos jornais têm, hoje, profissionais e textos de qualidade como os nossos. A Folha, hoje, está ainda melhor, tanto no quadro de repórteres como de editores e fotógrafos. E a orientação é a da seriedade e consistência'', garante.
Postura que, segundo Petrin, foi consagrada com a atitude do jornal desde a época da ditadura militar. O jornalista catarinense Walmor Macarini, 67 anos, colunista da Folha, se orgulha de ter dirigido a redação de 1964 até 1982, justamente durante o período ditatorial. Para ilustrar como o jornal manteve uma postura de independência mesmo naqueles anos, ele lembra do episódio em que a Folha foi o único jornal do País a dar o ''furo'' da iminente renúncia do governador do Paraná Leon Peres, acusado de corrupção.
''Eu disse: esperem para ver. Se a notícia não se confirmar, vocês me prendem. Não fui detido, mas as edições do jornal foram recolhidas nas bancas e até nas mãos de leitores. No dia seguinte o governador renunciou''. Segundo Macarini, todos os jornalistas da Folha eram ''de esquerda'' nos anos da ditadura, e buscavam maquiar as notícias para soltar, aqui e ali, informações sobre o que realmente estava acontecendo na época.
Para o jornalista, contudo, a época mais gloriosa da Folha precedeu os anos militares. Ele destaca as primeiras décadas do jornal, que contribuiu para o progresso de Londrina fazendo jornalismo de reivindicação. ''A Folha foi puxadora de estradas, fez campanha para construção de escolas, para a criação do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) aqui em Londrina. Era o único jornal que tinha coragem de reivindicar''.
Escrevendo para a Folha a partir de Curitiba, o colunista Luiz Geraldo Mazza, 73, pôde constatar que o jornal contribuiu para fortalecer um intercâmbio entre a região da Capital e o norte paranaense. ''Fiquei muito entusiasmado com o trabalho na Folha (a partir de 1970) porque sentia um certo bloqueio cultural do norte em relação ao sul do Estado. Estávamos numa atividade missionária para mudar isso'', diz. Outro ponto forte da Folha, segundo Mazza, foi a produção de reportagens. ''Isso empolgava porque a reportagem é a essência do jornalismo. Ganhávamos todos os concursos, tanto em fotografia quanto na parte documental, inclusive nacionais''.
O paulista Oswaldo Militão, 65, jornalista da Folha desde 1956, destaca o prestígio de que o jornal sempre gozou. ''Recebemos na redação a visita de três presidentes, Juscelino Kubitscheck, Jânio Quadros e Fernando Collor de Melo, além de misses Brasil como Marta Rocha e Vera Fischer. Duvido que em outro jornal do interior tenha aparecido tanta gente ilustre'', ressalta. Apesar de lembrar com saudades das primeiras décadas na Folha, Militão garante que todas as épocas foram marcantes, inclusive a atual. ''Antigamente éramos mais românticos porque tínhamos tempo para bater papo, o jornal saía às 5 horas, 7 horas da manhã. Mas qualquer época é boa, a gente só tem que se adaptar''. (V.N.)





