Se a cultura do café impulsionou o crescimento do Paraná no século 20, agora o futuro da cadeia produtiva é motivo de preocupação entre os produtores. Com alto custo de produção, baixa produtividade e mão de obra escassa, é necessário discutir os rumos da cultura para os próximos anos. Este é o principal objetivo do 21º Encontro Estadual do Café, que acontece no próximo dia 10 abril, às 9h, no Recinto José Garcia Molina, durante a 53ª ExpoLondrina.
A expectativa é que 500 produtores familiares e técnicos especialistas na cultura participem do evento, além de cerca de 50 autoridades como o secretário da agricultura do Estado, Norberto Ortigara e o governador Beto Richa. Este ano o principal assunto tratará da mecanização da lavoura, fundamental para que o café volte a ter peso no Estado.
Atualmente a produtividade da cafeicultura paranaense fica em torno de 22 sacas beneficiadas por hectare. De acordo com o organizador do evento e coordenador estadual do Projeto Café da Emater, Cilésio Abel Demoner, o ponto de equilíbrio para o produtor é de 30 sacas beneficiadas por hectare. "Este é o número para cobrir os custos. Abaixo disso, certamente o cafeicultor está trabalhando no vermelho", salienta Demoner.
Para o especialista, o momento agora é de crise mundial do produto, devido ao alto custo no manejo, baixa produtividade e mão de obra difícil de ser encontrada. Por isso, a estratégia agora é mecanizar esta produção. "Temos que definir como isto será feito ainda este ano. É preciso difundir este padrão tecnológico. Além disso, os cafeicultores familiares, grande maioria no Estado, devem criar formas de associativismo para comprar essas máquinas", relata ele.
Com um trabalho bem executado, Demoner acredita que seja possível saltar das 22 sacas por hectare para pelos menos 40 sacas por hectare. No evento, inclusive, um consultor internacional vai tratar um pouco das condições de solo e a importância do terreno estar adequado para o aumento da produtividade. "A situação no Paraná é de desafio para a cafeicultura, já que os preços dos grãos (principalmente a soja) estão bem elevados no momento. Além de tudo isso, temos que viabilizar políticas públicas para auxiliar toda a cadeia", complementa. Além do debate, o evento também promove o lançamento da 11ª edição do Concurso Café Qualidade. (V.L.)

mockup