Evento deve gerar US$ 45 bilhões
A realização, no Paraná, do Abav 99, abre novas perspectivas para a ind ústria do turismo em todo o Estado
Nani Góis/SMCSArquivo FolhaPara o secretário Ney Leprevost, a presença dos congressistas em Curitiba considerada o palco ideal e a realização de negócios supera de longe qualquer investimento que fosse feito em publicidade
Miranda Auster
De Curitiba - Especial para a Folha
A soma nada desprezível de US$ 45 bilhões em negócios deve ser gerada nos cinco dias deste congresso da Abav. A expectativa é do secretário de Estado do Turismo, Ney Leprevost, e justifica, de longe, o empenho que os profissionais do setor e o poder público tiveram para trazer o evento para Curitiba. Trata-se, segundo o secretário, de uma oportunidade única de divulgar tanto o Paraná como sua capital para um grande número de pessoas, além de movimentar a economia local e gerar empregos.
Leprevost avalia que o retorno oferecido pelo congresso jamais seria obtido, nem com o investimento de milhões na mídia, divulgando o que temos para mostrar. A opinião é compartilhada pelo presidente da Abav-PR, Antônio de Azevedo. O encontro, afirma, abre novas oportunidades para o desenvolvimento sustentado do turismo no Paraná.
Azevedo considera que o congresso está sendo realizado num palco ideal, pois Curitiba está situada em localização estratégica, perto dos maiores mercados turísticos nacionais e próxima dos principais pólos emissores da América Latina, que compõem um mercado potencial de aproximadamente 17 milhões de turistas.
A crença de que um congresso que reúne a grande maioria dos profissionais que alimentam a indústria do turismo pode ser um ponto de virada para a história do setor na cidade que o abriga justifica, de longe, o investimento de R$ 5 milhões para sua realização, afirmam especialistas.
Diferença Curitiba disputou com Brasília e outras capitais brasileiras a possibilidade de promover o evento. E venceu pela diferença, como se depreende da opinião do engenheiro responsável pela avaliação dos espaços físicos e da infra-estrutura da cidade, Mituro Nakano. Segundo ele, o padrão hoteleiro é muito bom, o aeroporto internacional é espetacular e o pavilhão de exposições da Expotrade, com 32 mil metros quadrados, praticamente dentro da cidade, é o bastante para qualificá-la.
Mais que isso, no entanto, fez de Curitiba a cidade escolhida, segundo o especialista. É uma capital que, apesar de não ter o fator turístico como atração para a realização de eventos, tem no seu planejamento urbano um grande foco de interesse, afirma.
Mas o planejamento e a consequente melhoria na qualidade de vida dos habitantes é ponto de atração turística? É o que Curitiba vem demonstrando ao longo das últimas décadas, uma vez que não nasceu com a silhueta do Rio Janeiro nem com o litoral privilegiado de capitais do Nordeste ou de Santa Catarina.
A qualidade de vida é também fator destacado pelo presidente nacional da Abav, Goiaci Guimarães. Curitiba tem um civismo exemplar, ótima qualidade de vida, um planejamento urbano fantástico que permite conhecer a cidade sem precisar de automóvel e muita organização, diz.
O segredo é que o planejamento urbano tem no homem a medida de todas as ações. É a partir deste princípio, aplicado pela primeira vez há mais de 30 anos, que Curitiba se fez e se faz, concorda o prefeito da cidade, Cassio Taniguchi. O secretário municipal da Comunicação, Fabiano Braga Cortes Júnior, concorda. A pesar de não ter belezas naturais, diz ele, Curitiba está atraindo a curiosidade e o interesse de um contingente de turistas que cresce a cada ano, fato comprovado por todas as pesquisas.





