Os atentados que atingiram o coração econômico dos Estados Unidos propagaram sua onda de choque por todo o mundo, aumentando o espectro de uma recessão no planeta por causa da importância do consumo na primeira potência mundial. Já fragilizada pela queda do investimento das empresas, que provocou desde princípios de 2001 uma forte redução da atividade, a economia americana escapou até agora da recessão graças ao consumo interno.
A reação da população aos atentados de Nova York e Washington vai mudar previsivelmente esse cenário. ''A economia americana se encontra em uma fase bem delicada, porque os consumidores mantiveram seu gasto apesar do declive econômico'', disse o investidor George Soros à margem de um fórum sobre as relações internacionais em Pequim.
''Havia já sinais que indicavam que os consumidores começavam a ser mais prudentes e isso é uma enorme comoção para todo o mundo. Penso que isso afetará o consumo e pode levar a economia a uma recessão'', disse Soros.
''O risco de recessão cresceu significativamente'', disse Christian de Boissieu, professor de economia da universidade francesa da Sorbonne. ''Haverá um esfriamento por causa da angústia. Todos os comportamentos de consumo vão diminuir'', afirmou Jean-Paul Betbèze, chefe economista do Crédit Lyonnais.
Christian de Boissieu prognostica por seu lado ''uma alta das taxas de poupança'' nos Estados Unidos, um indicador que será avaliado nas próximas semanas, assim como o nível de endividamento privado, que já atingiu um nível recorde.
''Há cinco anos, o motor do comércio internacional é o consumo americano, que representa 15% do PIB mundial'', explica Emmanuel Ferry, analista da Exane. Uma recessão da economia americana, verdadeira ''correia de transmissão'' do consumo mundial, afetaria um grande número de países. ''Todas as áreas econômicas são tributárias da conjuntura interna nos Estados Unidos. O processo de contágio em curso há um ano se verá amplificado'', diz Emmanuel Ferry.
Os primeiros países afetados serão os grandes exportadores: Alemanha, Japão, Coréia do Sul, Cingapura ou Taiwan. ''Esta catástrofe terá consequências terrivelmente negativas para o panorama econômico'', reagiu o presidente sul-coreano Kim Dae-Jung. ''A situação é muito grave'', disse o ministro japonês da economia, Takeo Hiranuma.
''Entramos numa desaceleração global, mas uma desaceleração bem diferente'', assinalou Jean-Paul Betzèbe. ''O risco dos países emergentes será superior ao risco europeu'', acrescentou, citando Brasil, Argentina, México ou Turquia como os mais vulneráveis. ''A idéia de uma recessão na Europa ganhará em probabilidade'', estimou por seu lado Emmanuel Ferry, enquanto todos os economistas interrogados pela Agência France Presse assinalaram que iam revisar em baixa suas previsões para a zona euro.

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