Airton de Jesus Araújo é um empresário conhecido em Londrina e em Tamarana (62 km ao sul de Londrina), cidade onde manteve, por mais de 40 anos, uma coleção com mais de 180 armas de fogo. Talvez esta mesma fama é que tenha feito com que ele vivesse uma das mais assustadoras experiências a que uma pessoa pode se sujeitar: ser assaltado e feito de refém dentro da própria casa, vendo a esposa e a filha serem ameaçadas.
Esta e uma outra experiência, igualmente marcante, fizeram o ''Seo'' Ito, como é conhecido entre os amigos, escolher pelo Sim, no Referendo do dia 23 de outubro. Ito é contra o comércio de armas no Brasil.
Ele não tem mais a famosa coleção de bacamartes, garruchas, pistolas e revólveres. Entregou as armas para a Polícia Federal durante a campanha pelo desarmamento, no ano passado. ''Há dois anos, vivi uma situação muito complexa: tinha cinco boas armas em casa, e todas foram roubadas durante o assalto. Sequer tive chance de me defender, mesmo com todo este arsenal à minha disposição. O que guardei deste fato foi a perda da visão do olho direito, depois de ser amarrado e agredido'', conta, lembrando-se exatamente da data em que tudo ocorreu. ''Dia 10 de julho de 2003''.
O empresário também viveu, mais recentemente, outra situação que só reforçou a própria vontade de se livrar da coleção que mantinha. ''Dois dos garotos que trabalhavam comigo passeavam a cavalo. Um deles carregava uma espingarda, que disparou acidentalmente. O tiro acertou o rosto do outro, de 10 anos. Ele não morreu, mas se feriu gravemente'', lembra Seo Ito. ''Não temos controle sobre o que as crianças fazem longe da gente. Por isso afirmo com garantia que não é seguro ter uma arma em casa. Não se faz segurança com um revólver, e o que eu vivi provou isso. Tinha cinco armas em casa e nada pude fazer para me defender. É por isso que vou votar pelo Sim''. (A.M.)

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