Eu voto NÃO
A dona de casa Cíntia Fernanda Sodré Madureira reúne motivos que ela considera especiais para a escolha do voto no Referendo do dia 23 de outubro. Há pouco mais de dois meses, a filha Rafaela, de apenas 3 anos, foi atingida por uma bala perdida em pleno Centro de Londrina, depois de ter assistido a um homicídio em que um jovem de 20 anos foi morto com nove tiros. A menina, atingida na perna, teve um osso fraturado e sofre com pesadelos até hoje. No dia 23 de outubro, Cíntia vota pelo Não. A dona de casa concorda com o comércio de armas de fogo no Brasil.
Cíntia passeava com o marido, o promotor de vendas Alexandre Madureira, e a filha mais velha Roberta, 7 quando tudo aconteceu. No momento, chegou a pensar que a bala tinha atingido ela própria, tamanha era a quantidade de sangue que encontrou na jaqueta que vestia. ''Só percebi que minha filha tinha sido atingida quando fugimos para dentro do shopping e vi que ela já estava roxa, com os lábios sem cor'', lembra.
Ela viu, na pele da filha, o sofrimento de um povo que sofre com a falta de segurança, em plena área central. E acredita que o fim do comércio de armas só vai acentuar tal situação. ''Vai ficar estampado nas casas das pessoas que elas estarão desprotegidas. Isso vai incentivar muito ladrão a assaltar, sem medo de ser atacado'', explica.
A dona de casa conta que não teve nenhum tipo de apoio do Estado para o tratamento de Rafaela, que precisou de médicos, fisioterapeutas e psicólogos para superar o trauma. ''Este é o descaso com que nos tratam. Fazem um Referendo para tirar um de nossos direitos e não se preocupam em melhorar o treinamento da polícia, em combater o contrabando. Por isso voto pelo Não'', argumenta, com respaldo do marido. ''Nem penso em ter armas em casa hoje. Mas amanhã, quem pode saber? O que não queremos é tirar o direito das pessoas que precisam se defender''. (A.M.)





