Eu via a carne como um bicho morto e tinha nojo
Curitiba- Até hoje a jornalista Michele Müller, de 28 anos, ainda escuta as brincadeiras de sua família, gaúchos que adoram um bom churrasco, que não se conformam com sua opção de ser vegetariana. Michele, na verdade, sequer chegou a fazer uma opção. Eu nunca gostei de carne, desde criança. Eu não aceitava, não achava natural. Não via a carne como uma comida, mas como um bicho morto e tinha nojo, conta.
Nem por isso Michele seguiu a linha extremista radical, a fazer discursos inflamados contra a ingestão de carne. Não vou proibir meu filho de comer carne, diz. Ela conta, no entanto, que a reação das pessoas, ao saber de sua opção, a levaram a assumir outras posições. As pessoas ficam na defensiva, te vêem como se você fosse de uma tribo. Sem querer você acaba defendendo o vegetarianismo, diz.
Hoje, além da primeira impressão da infância, Michele defende o não consumo de carne baseada em outros argumentos, como o sofrimento dos animais criados para serem abatidos. O frango é criado estressado, infeliz, eles cortam o bico do animal, o jeito que matam os animais. Se você pensar bem, uma vitela é um bezerrinho que acabou de nascer. Quer dizer, os animais são tratados como alimentos, e não como um bicho, diz.
Ela concorda, no entanto, que ser vegetariano ainda exige muita paciência. Eu fico muito irritada quando vou em um lugar e não tem nenhuma opção, só o prato com salada, conta ela, que tem, como pratos preferidos o milho, cereais, chocolate e batata-frita. (M.G.)





