Saindo das urnas derrotado por Alexandre Kireeff (PSD) com diferença de 2.978 votos, o candidato à Prefeitura de Londrina pelo PP, Marcelo Belinati, fez um discurso de gratidão e se considerou ''um grande vencedor'' ao atender a imprensa ontem, cerca de uma hora depois do resultado da votação, acompanhado por mais de 30 amigos e familiares, que o aplaudiam ao final de cada resposta.

''Eu estou no começo da vida política, saí de um mandato de vereador, nunca tinha sido candidato a prefeito e fiz quase 140 mil votos. Me sinto um grande vencedor. Só tenho palavras de gratidão'', disse aos jornalistas em entrevista na calçada em frente ao condomínio onde reside, na Zona Sul. Alguns vizinhos do condomínio em frente passavam e buzinavam, gritando ''Kireeff 55''. ''Não estou triste. Claro que a gente almeja vitória, mas faz parte da democracia. Fico feliz. Tudo o que eu podia fazer (na campanha) eu fiz'', afirmou Marcelo.

O pepista evitou utilizar o termo ''derrota'', agradeceu a família, amigos, partidos da coligação, equipe de campanha e políticos aliados, citando nominalmente o governador Beto Richa (PSDB), o tio e ex-prefeito Antonio Belinati, o deputado Alex Canziani (PTB), seu vice, Junker Grassiotto (PSDB), e o ex-vereador Tercílio Turini (PPS).

Sobre o apoio do tio, Marcelo avaliou que ''de maneira alguma'' essa relação influenciou no resultado da eleição. ''Os adversários sempre usaram essas questões para nos atacar, mas eu tenho muito orgulho da minha família. Sou Belinati, sim, não renego o meu nome, mas eu sou o Marcelo Belinati.''

O candidato foi cordial com o opositor. ''Desejo ao Alexandre que faça uma grande administração porque Londrina está precisando. Desejo toda a sorte do mundo a ele, que é uma boa pessoa e a quem eu respeito'', afirmou. ''Vou contribuir no que puder. Penso que é um momento de união.'' Ele acrescentou que fiscalizará a administração de Kireeff, porém, como cidadão, já que não terá cargo político a partir do ano que vem. ''É muito cedo para falar em oposição partidária.''

Para Marcelo, o resultado das urnas - com diferença pequena de votos - não demonstra uma cidade dividida. ''Penso que todos nós somos londrinenses. A divisão é mais na forma de pensar. A cidade é uma só.''

O pepista, apoiado por uma coligação de 14 partidos, abriu a corrida eleitoral liderando todas as pesquisas de intenção de voto, inclusive a última sondagem divulgada no sábado. Chegou-se a cogitar sua vitória no primeiro turno. Na campanha de segundo turno ele também saiu na frente, mas cresceu apenas 14 mil votos, insuficientes diante do crescimento constante de Kireeff. Mesmo assim, acredita que não houve falhas na campanha. ''Não acho que faltou nada, não houve falha nenhuma.''

Para ele, nem mesmo o tom mais agressivo contra o opositor na última semana de campanha foram um erro. ''No segundo turno é importante que as diferenças fiquem bem claras, diferenças de propostas, de posicionamento em relação a temas polêmicos. Isso faz parte do processo democrático.''

Sobre o futuro, Marcelo disse que volta hoje ao seu trabalho como médico concursado do Estado e em uma empresa particular de atendimento emergencial. Ele também retoma nos próximos dias seu mandato na Câmara do qual estava licenciado desde o início da campanha e não quis comentar sobre uma possível candidatura em 2014. ''No momento vou voltar para a medicina, que é minha paixão.''

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