Um passeio pelos bairros da cidade com o rapper MC Pateta revela uma nova cidade à sombra da Londrina tradicional. Uma cidade rica em arte, cultura e, principalmente, pessoas interessantes.
  Durante muito tempo, Anderson Gonçalves Nunes, de 23 anos, morador do Jardim Itapuá, na Zona Norte, trabalhou como mototaxista. Apenas recentemente ele foi contratado por uma metalúrgica. Por isso conhece cada viela da cidade, cada favela. ‘‘Eu já andei em todos os bairros de Londrina, já levei todo tipo de gente na garupa da moto e já vi cada coisa que dava para fazer um filme’’, afirma.
  Músico de primeira linha, ele é o popular MC Pateta, integrante de um dos grupos mais populares de rap da cidade, o Família Pira Pura, com dois CDs que são ouvidos em todas as ‘‘quebradas’’. ‘‘É que as letras falam da periferia’’, argumenta Anderson.
  Sua mulher, Graziele Francisco, 20 anos, também é cantora de rap e, por conta da facilidade de comunicação e de uma voz muito bonita, conseguiu trabalho no call center de uma empresa de telefonia. Em breve eles devem gravar juntos o Cd ‘‘Dois Em Um’’.
  Antes de sair para um ‘‘tour’’ pela cidade, Pateta conta a origem de seu apelido: a verdadeira paixão que nutre, desde criança, pelo famoso personagem de Disney. Inconformado com a imagem negativa que os bairros mais humildes têm, não só em Londrina, mas em todo o Brasil, ele cita (já acelerando a motocicleta) Regina Casé, apresentadora do Programa Central da Periferia, por quem nutre verdadeira admiração, que sempre diz: ‘‘O melhor do Brasil tá na periferia!’’.
  Por isso, a primeira parada na viagem de Pateta é ainda no Centro da cidade, na Casa do Hip Hop. ‘‘Aqui é a nossa central da periferia’’, compara. Ali, na Casa do Hip Hop, jovens, homens e mulheres envolvidos com as artes de rua e do movimento Hip Hop, vêm praticamente de todos os bairros e cruzam informação.
  De novo na moto, Pateta avisa: ‘‘A viagem vai ser longa’’! Ele logo chama a atenção para o asfalto no Centro, nos bairros mais próximos e também nos mais distantes. ‘‘O asfalto cobriu a cidade, agora então não tem desculpa para não pegar o carro e rodar. Só mesmo dando um rolê na cidade para conhecer a vida do povo da periferia’’, diz o MC.

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