É certo que a etiqueta mudou ao longo das últimas décadas. Antigamente, era voltada unicamente para o lado social - as grandes festas, coquetéis, banquetes. ‘‘Hoje a preocupação é muito maior com as questões profissionais: a maneira de se comportar em entrevistas, eventos sociais que envolvem a empresa, e contato com clientes e superiores’’, avalia Gilda Munhoz da Rocha, que durante dez anos ministrou cursos de boas maneiras na Socipar.
A rápida ascensão profissional é o que mais atropela o bom desempenho nos assuntos sociais. Carreiras meteóricas costumam não ser acompanhadas pelo refinamento social. Resultado: a pessoa acaba não se sentindo bem em situações que exigem um certo savoir-faire. ‘‘As aulas de aprimoramento social servem justamente para dar segurança em qualquer situação, seja à mesa em um jantar elegante, seja na hora de escolher a roupa certa para um evento, seja no momento de travar uma conversa inteligente’’, explica Aliete Prosdócimo.
Exemplos da evolução do que se costuma chamar de ‘boas maneiras’ podem ser notados nos jantares. Raramente alguém recebe hoje para um jantar à francesa. É muito mais comum um jantar americano, com sistema de buffet. ‘‘Não é preciso limitar tanto o número de convidados e fica um clima mais descontraído’’, diz Gilda Munhoz da Rocha.
O celular, acessório recente, ganha capítulo especial nos livros atuais de etiqueta. Considera-se deselegante manter o aparelho ligado durante reuniões de trabalho, concertos, peças de teatro, conferências ou qualquer outra situação em que o soar do telefone perturbe o vizinho. A secretária eletrônica, por outro lado, é hoje sinônimo de consideração com quem liga, já que o constrangimento de nunca ser encontrado desaparece.
Outros hábitos, como os homens beijarem a mão das mulheres ou reservarem-lhes o lado interno da calçada, acabaram ficando completamente demodés.

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