Alexandre Fabian, diretor do Grupo Plaenge, apresenta no EncontrosFolha a experiência das ações de compliance que já se tornaram rotina no dia a dia da empresa
Alexandre Fabian, diretor do Grupo Plaenge, apresenta no EncontrosFolha a experiência das ações de compliance que já se tornaram rotina no dia a dia da empresa | Foto: Gabriel Teixeira/Divulgação



Se há nos dias atuais muitas empresas que buscam incutir no ambiente de trabalho e junto aos colaboradores ações de compliance, existem outras que já nasceram com a ética no DNA. Nestes casos, sem dúvida, a trajetória de sucesso é elevada a outro patamar, com uma evolução dos negócios constatado em números. O Grupo Plaenge, sem dúvida, se encaixa neste perfil. Atualmente são 2.177 colaboradores e no ano passado lançou 13 empreendimentos, mesmo em tempos de recessão econômica. A empresa é a única no segmento da construção civil com obras fora do País: atua no Chile desde 2009.

Resultados diretamente ligados ao comportamento do fundador da construtora, Ézero Fabian. Ainda na década de 1970, ele resolveu iniciar uma nova empresa justamente por não concordar com práticas antiéticas comuns na construção civil. Na época, sua avaliação era que isso seria um desafio e acabaria dificultando a sobrevivência dos negócios. "Hoje ele constata que justamente a ética foi o que permitiu à Plaenge chegar a quase cinco décadas de existência com o tamanho e volume de negócios que possui atualmente. A escala de valores definida lá no início da empresa, o norteador adotado até hoje, é que permitiu reunir uma equipe tão talentosa e dedicada. Também estamos certos que são esses mesmos valores os responsáveis pela reputação da empresa junto a seus clientes", salienta Alexandre Dores Fabian, diretor do Grupo Plaenge e painelista do EncontrosFOLHA.

Em 2002, a empresa sentiu a necessidade de formalizar o que "entendia como ética" e publicou a primeira versão do Código de Ética interno, um pioneirismo em documentos neste formato. "Com o crescimento do setor, vimos a necessidade de garantir a continuidade desses princípios e valores. Criamos uma área na empresa para se dedicar a este tema em 2011. Entendemos como compliance o conjunto de regras, normas e procedimentos que norteiam nossos negócios e decisões, sendo a ética o pilar fundamental dessas normas".

Hoje, Alexandre ressalta que tais atividade fazem parte do dia a dia do Grupo Plaenge, no comportamento da equipe. "Como parte do processo de integração dentro da equipe, todos os novos colaboradores recebem, logo após a contratação, um exemplar do Código de Ética - que traz de forma clara e com exemplos práticos o que a empresa considera, ou não, como correto e adequado. Também fizemos um vídeo explicando de forma simples os principais pontos que devem ser observados pela nossa equipe e pelos terceiros. Realizamos campanhas e reforços do tema em nossas obras uma vez por mês. Nos escritórios, com menor rotatividade, reforçamos de 3 a 4 vezes por ano."

Há dois anos, a construtora resolveu inovar mais uma vez. Foi implantado um "canal de ética" com atendimento terceirizado e feito por uma empresa especialista no assunto. O investimento contou ainda com materiais impressos e cartazes para reforço, além de vídeos educativos e materiais digitais. "Temos uma equipe própria analisando os relatos, encaminhando e cobrando as ações necessárias junto a cada departamento. Há um envolvimento pessoal dos diretores na apuração de cada denúncia formalizada pelo canal".

Quando calcula os custos para que toda essa estrutura seja implantada, Fabian estima que são "relativamente baixos em relação aos benefícios que são proporcionados para a empresa". "Pelas nossas estimativas o retorno é de 20 a 30 vezes maior que o custo. Estas ações só têm sentido para empresas que efetivamente têm a ética como valor incorporado e a praticam no dia a dia. Acreditamos que cada vez haverá menos empresas que não trabalhem de forma 100% ética", finaliza o diretor. (V.L.)

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